Sociedade
Moto Clube da Marinha Grande faz manifestação silenciosa para tentar segurar sede cedida pela câmara
Queixas de ruído na origem do processo iniciado pelo município, que admite rescindir contrato de cedência da antiga escola de Pero Neto
Cerca de meia centena de motards, pertencentes ao Moto Clube da Marinha Grande, concentraram-se, na segunda-feira, em frente a câmara, numa “manifestação silenciosa”, para tentar sensibilizar o executivo para a necessidade de este manter a cedência da antiga escola de Pero Neto onde funciona a sede da associação.
A concentração aconteceu à mesma hora da reunião de câmara, que votou uma proposta na qual o município expressa a intenção de rescindir o contrato, dando um prazo de dez dias à associação para se pronunciar. Na origem do processo estão, segundo explicou o presidente da câmara, Paulo Vicente, queixas de ruído provocado pelas actividades realizadas no local.
“A câmara não se pode eximir da responsabilidade que tem sobre aquele edifício e as actividades que ali ocorrem. Não foi cedido para bailes e bailaricos”, afirmou Paulo Vicente. Em complemento, o vereador Sérgio Silva lembrou que o contrato determina que a cedência do imóvel se destina “exclusivamente ao funcionamento da sede” da associação e que “serviços de restauração, bebidas e danceteria” não se enquadram nesse fim.
“Tem havido violação claríssima do objecto do contrato e abuso reiterado, que incomoda a saúde e a tranquilidade das pessoas”, reforçou o vereador. Já os eleitos do +MPM, João Brito e Cláudia Morgado apelaram ao diálogo entre a câmara e a associação, alegando que as questões de ruído devem ser resolvidas com a limitação e controlo das licenças e com acção das forças de segurança, e não com a rescisão do contrato.
“Impedir o uso da sede é quase matar a associação”, afirmou João Brito, que referiu que este Moto Clube “tem 872 sócios” e que, entre as iniciativas que promove, Área abrangida pela reabilitação tem 23,7 hectares estão eventos de cariz solidário.
O mesmo é sublinhado por Orlando Duarte, tesoureiro da direcção, que está demissionária. O dirigente reconhece, no entanto, que as queixas relativas ao ruído são “razoáveis” e que tem havido “alguns excessos, mas garante que, no futuro, “os erros serão corrigidos”, assegurando que a lista candidata às eleições de 23 de Setembro irá assumir esse compromisso.
Para já, a associação irá responder à câmara e a convicção de Orlando Duarte, que no final da reunião de executivo foi recebido pelo presidente da autarquia, é que o contrato será mantido.