Sociedade
Onda de solidariedade para ajudar a reerguer a Filarmónica de Monte Redondo
A sede da centenária filarmónica sofreu bastante com o impacto da tempestade Kristin. De todo o país têm chegado ações de solidariedade
A centenária Filarmónica de Nossa Senhora da Piedade, de Monte Redondo, sofreu bastante com o impacto da tempestade Kristin, a 28 de Janeiro, com o seu histórico edifício a exibir danos estruturais internos que o impedem de ser utilizado. A direção tem orçados em 200 mil euros os prejuízos, aguardando ainda a resposta do seguro. Entretanto, de todo o país têm chegado ações de solidariedade.
Casa de cerca de 600 artistas, entre músicos, dançarinos e equipa administrativa, a Filarmónica de Monte Redondo é a mais antiga agremiação cultural da freguesia e a mais antiga filarmónica do concelho de Leiria, datada de 1872. Em Julho celebra 154 anos e haverá concerto de aniversário, embora a secretária da direcção, Sofia Sousa, admita que a instituição ainda não sabe bem como irá decorrer o evento.
O histórico edifício que albergava o equipamento, propriedade da Fundação Bissaya Barreto, sofreu danos avultados e o orçamento mais recente aponta para um prejuízo de cerca de 200 mil euros. “Caíram os balaústres para dentro do telhado”, explica Sofia Sousa, o que gerou de imediato fragilidades no edifício. “Depois choveu imenso”, o que debilitou a estrutura interna de madeira.
“Todas as salas onde caíram os balaústres estão em perigo de ruir”, sintetiza, explicando a avaliação da Proteção Civil, que bloqueou a utilização do prédio. O edifício tem uma longa história de serviço social, tendo servido inicialmente para a Fundação Bissaya Barreto prestar apoio a crianças. Há 15 anos, recorda Sofia Sousa, a própria Filarmónica procedeu a intervenções de recuperação na estrutura.
Após o vendaval, a Filarmónica recebeu o apoio imediato do município e da autarquia, assim como de outras associações locais para ajudar a encontrar espaços para manter a formação e ensaios dos elementos.
Para além da banda da Filarmónica, o edifício albergava também uma Academia de Artes, com escola de música e duas escolas de dança, a Artis e a Fil Beat. No total, estima a responsável, o edifício via entrar e sair semanalmente 600 pessoas de toda a região. Em Maio voltaram aos concertos e a actividade tem-se mantido, embora fragmentada em localização.
Sofia Sousa sublinha a solidariedade que receberam de filarmónicas de todo o país e diversas iniciativas culturais de angariação de fundos para ajudar a instituição a reerguer-se. O Colégio Moderno, por exemplo, uma instituição lisboeta gerida por Isabel Soares (filha de Mário Soares), está a preparar um dia solidário destinado a ajudar a Filarmónica. “Temos sentido uma onda de solidariedade de muitos sítios pelo país”, conclui.