Sociedade

Projecto de arquitectura contribui para a requalificação de praias de Leiria e Marinha Grande

3 jul 2026 14:00

Casa da Arquitectura será responsável pela consultadoria da intervenção

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As frentes marítimas das praias do Pedrógão (Leiria), Vieira e São Pedro de Moel (Marinha Grande) vão ser alvo de uma requalificação, que aposta na valorização urbana e no reforço da resiliência costeira.

O protocolo de colaboração institucional, assinado esta quarta-feira, na Praia da Vieira,  prevê que a Casa da Arquitectura preste consultoria para a futura contratação da equipa responsável pelo projecto, destinado a responder aos problemas agravados pelas intempéries de Janeiro e Fevereiro deste ano, segundo uma nota do Ministério do Ambiente e Energia.

Rosário Gambôa, representante da Casa da Arquitectura, ressalva que este é “um projecto de futuro”, "fundamentalmente voltado para os territórios, para o País e para as pessoas”, tendo em conta o respeito pela "identidade e características das povoações”.

Esta acção foca-se na recuperação e adaptação do litoral às alterações climáticas, através de uma intervenção integrada que articule a praia, a marginal e a primeira linha urbana.

"No Pedrógão há zonas que precisam de reposição de areia e de recuperação dos acessos", afirmou a Maria da Graça Carvalho.

Reorganização urbanística

A ministra do Ambiente e Energia sublinha que a intervenção poderá incluir a reorganização da circulação automóvel, o alargamento de passeios, a criação de novas áreas de estacionamento afastadas do areal e a melhoria das condições para a circulação pedonal.

O projecto contempla ainda a instalação de "ilhas para resíduos", para responder ao aumento da produção de lixo durante o verão, bem como uma proposta da Casa da Arquitetura para uniformizar o mobiliário urbano, os apoios de praia e outros elementos da frente marítima.

Tornar estas zonas "mais resilientes, mais bonitas, mais acessíveis", privilegiando os peões, criando mais espaços verdes e otimizando a circulação automóvel é o principal desígnio deste projecto destacou a governante, ao referir que a intervenção deverá igualmente integrar o mercado e o bairro dos pescadores da Praia da Vieira na estratégia de requalificação, sem descaracterizar a identidade local.

Garantindo que o projecto não prevê alterações estruturais, Maria da Graça Carvalho sublinhou que a preservação de tradições como a arte xávega se vão manter.

Maria da Graça Carvalho recordou os dias e semanas após a tempestade Kristin em que esteve presente nestas três praias e confessou a "tristeza" que sentiu ao ver a destruição, principalmente na Praia da Vieira e da floresta nesta zona. Foi “uma verdadeira chaga que se abateu sobre esta região”, admitiu, enaltecendo o trabalhos das duas autarquias em garantir condições nas praias para a época balnear. “Passados cinco meses, temos uma praia muito bonita, temos também o centro de Leiria muito bonito. Portanto, já muito trabalho foi feito. Mas precisamos de ir mais além e hoje assinámos também a Leiria um protocolo para ajudar a recuperar o Jardim Luís de Camões”, anunciou.

Projecto é case study

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, considerou que o projecto para as praias do Pedrógão, Vieira e São Pedro de Moel pretende ir além da recuperação física dos espaços, incorporando uma abordagem multidisciplinar.

"Queremos fazer deste projecto uma espécie de case study. Mais do que recuperar, queremos trazer a visão da arquitectura e incorporar várias especialidades", afirmou.

Também o presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, apontou que a assinatura do protocolo demonstra que "a resposta à emergência não terminou quando passaram as tempestades".

Na sua perspectiva, a iniciativa permitirá planear, de forma integrada, intervenções nas marginais, acessos às praias, espaços públicos, mobilidade, iluminação, mobiliário urbano e espaços verdes, conciliando protecção costeira, valorização urbana, identidade cultural e adaptação às alterações climáticas.

"Mais do que um estudo técnico, este protocolo representa o início de um caminho" para tornar estes territórios mais resilientes perante fenómenos extremos, afirmou.

Já o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, salientou que o protocolo "olha para o futuro", defendendo uma reconstrução que deixe uma marca não apenas de recuperação, mas sobretudo de resiliência.