Sociedade
Região de Leiria recusa comprometer-se com conclusão das avaliações de danos em casas até 30 de Junho
Presidente da CIM pede que se olhe para a dimensão dos danos neste território, que tem metade do total de candidaturas do País
A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria recusou hoje assumir a data de 30 de Junho para concluir a avaliação dos prejuízos em habitações devido ao mau tempo, como garantiu o ministro Castro Almeida.
“Pode ser que se consiga, mas não o vai assumir por duas razões”, afirmou o presidente da CIM, Jorge Vala. O também presidente da Câmara de Porto de Mós explicou que a primeira razão está relacionada com a entrada de novos processos urbanísticos nos municípios e com a “necessidade urgente” da sua avaliação sob pena de incumprimento de prazos legais, observando que “há municípios que deixaram de ter os seus técnicos a 100% alocados às candidaturas e passaram a ter parte”.
Por outro lado, “os técnicos das ordens [profissionais] estão a trabalhar menos do que estavam antes, porque têm a sua vida profissional”, continuou, adiantando haver cada vez “mais dificuldade em recrutar novos técnicos”, como arquitectos ou engenheiros.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, garantiu, no início de Abril, que, até 30 de Junho, todas as casas afectadas pelo mau tempo teriam a avaliação dos prejuízos feita. “É preciso dizer isto, já estamos num ritmo de várias centenas de avaliações por dia e, portanto, creio que o prazo de 30 de Junho irá ser cumprido”, afirmou Castro Almeida.
Hoje, o presidente da CIM assegurou que os autarcas estão “muito preocupados com a questão da análise às candidaturas das habitações”, mas pediu que se olhe para a dimensão dos danos neste território.
“Temos, na região, cerca de metade das candidaturas do total do País e, desta metade das candidaturas, uma grande maioria está concentrada num ou dois concelhos”, esclareceu, repetindo o pedido para que “se olhe para esta questão tendo em conta o esforço enorme que os técnicos municipais estão a fazer em prejuízo das próprias comunidades”.
Jorge Vala adiantou que há concelhos que estão “completamente parados há quatro meses sob o ponto de vista da decisão técnica daquilo que é o futuro, de novos projectos, de entrada de novos processos, e estes municípios têm de arrepiar caminho, têm de olhar também para o futuro”.
“E, portanto, é o que vamos começar a fazer, mesmo em prejuízo de não se cumprir o 30 de Junho”, reafirmou, notando que há municípios que “têm meia dúzia de propostas e que ainda não analisaram nenhuma” e, no caso da Região de Leiria, da totalidade das candidaturas efectuadas, “há já mais de 50% analisadas”.