Sociedade

Sindicato da PSP reúne em Leiria e reclama efectivos e melhores salários

8 mai 2026 14:15

Associação Sindical dos Profissionais da Polícia de Segurança Pública apelam ao Governo para cumprir acordo assinado em 2024

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Ricardo Graça

A direcção da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia de Segurança Pública (ASPP/PSP) esteve reunida em Leiria para ouvir as dificuldades dos agentes, mas também para denunciar as dificuldades que a falta de efectivos condiciona o dia-a-dia do Comando Distrital da PSP de Leiria.

“O principal problema é a falta de efectivos, uma realidade que existe em todo o País, mas que é gritante no comando de Leiria. Dentro das esquadras temos pessoal afecto ao programa Escola Segura que é desviado para suprir falhas das patrulhas, que necessitam de dois elementos para o carro circular”, explica Rui Gaspar, representante do Centro da ASPP/PSP.

Os agentes chegam a ser deslocados cerca de 25 quilómetros para apoiar outras esquadras. Por exemplo, já sucedeu um elemento do trânsito de Caldas da Rainha ser desviado para poder ser feita a patrulha na Nazaré, ficando Caldas sem o piquete de acidentes”, denuncia.

Segundo Rui Gaspar, toda esta ‘ginástica’ é feita pelos comandantes de forma a suprir as lacunas de efectivo. “Cobre-se de um lado, mas destapa-se do outro”, lamenta.

O dirigente sindical defende que o Governo tem de criar melhores condições e atractividade para garantir a atracção para a PSP e, o aspecto salarial, é um dos principais motes, por isso os polícias exigem o cumprimento do acordo assinado em 2024 com o Ministério da Administração Interna.

Além do aspecto salarial, o acordo previa que fosse feita a revisão do estatuto das carreiras profissionais, do regime remuneratório, na revisão das tabelas dos serviços remunerados e via verde na saúde. "A negociação que deveria ter sido iniciada em 2025 não foi cumprida", revela.

Um polícia que ingresse na PSP ganha de salário base, sem os suplementos, pouco mais de mil euros, assume, lembrando que os jovens iniciam a carreira em Lisboa, onde o preço de um quarto é elevadíssimo. Além disso, demoram quase uma década a aproximar-se de casa. “Estas condicionantes afastam eventuais candidatos”, aponta.

O Ministério da Administração Interna aumentou a idade de ingresso para os 35 anos, como forma de permitir o aumento de candidatos. Rui Gaspar considera que dificilmente, a partir dos 30 anos, alguém irá concorrer, pois “já terá a vida organizada” e “quem mora fora de Lisboa não se vai sujeitar a estar, sete, oito anos longe da família”.