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Teatro da Rainha. Mãe e filhas matam o pai e marido na estreia de um texto de Angus Cerini em Portugal
A árvore que sangra, uma peça sobre abuso e vingança
A estreia em palcos portugueses de A árvore que sangra, de Angus Cerini, peça apresentada em público pela primeira vez em 2015, na Austrália, acontece pela mão do Teatro da Rainha e com encenação de Fernando Mora Ramos.
O arranque – “com um buraco de bala no pescoço essa tua cabeça de burro nunca teve tão bom ar” – abre caminho para a história de um parricídio ligado a violência doméstica, abuso sexual e machismo, mas, também, aos silêncios de uma comunidade condescendente com a crueldade.
Numa quinta a alguma distância de uma cidade rural no interior australiano, mãe e duas filhas levadas pelo desejo de vingança contra maus-tratos e abusos, de que foram vítimas anos a fio, matam o agressor, pai e marido. O que fazer ao cadáver?
As réplicas das três figuras femininas em cena vão evocando diversas personagens – pai, vizinhos, família distante – enquanto projectam um futuro que corresponda a uma ideia de regeneração libertadora.
“Neste processo”, segundo Fernando Mora Ramos, “estará o ciclo da vida”.
“Tudo regressa à terra e sendo cinza, estrume, tudo pode ser alimento de nova vida, de beleza”, comenta. “O roseiral é o recomeço radical de nova vida. Creio que será isso o mais importante a reter”.
Com tradução e dramaturgia de Isabel Lopes, A árvore que sangra tem interpretação de Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira.
O espectáculo baseado no texto de Angus Cerini, autor e performer várias vezes premiado, pode ser visto no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha nesta sexta-feira, dia 13, com início às 21:30 horas. Continua em vários dias e horários, no mesmo local, até 27 de Março.