Opinião

A imersiva dualidade da IA

4 jul 2026 21:30

Daqui a 4 anos os mega-poderosos servidores da inteligência artificial (IA) consumirão cerca de 945 TeraWatt-hora de eletricidade, equivalente ao triplo do consumo anual combinado do Paquistão, Bangladesh e Nigéria

Todo o mundo é composto de mudança. Dizia o nosso recentemente celebrado Luís de Camões. Há 500 anos atrás. Impressionante perceber a sua atualidade.

Vivemos num mundo que continua a mudar os tempos, as vontades, o ser e a confiança, tomando sempre novas qualidades. Tal qual Camões “sonetou”. E já nem falo do conhecido fogo do amor que arde sem se ver...

Invisível é também este fenómeno artificial, a que chamamos inteligência. Que tanto nos apaixona. E tanto nos consome. De recursos naturais.

Dias antes do nosso feriado nacional, as Nações Unidas emitiram um relatório que estima que daqui a 4 anos os mega-poderosos servidores da inteligência artificial (IA) consumirão cerca de 945 TeraWatt-hora de eletricidade, equivalente ao triplo do consumo anual combinado do Paquistão, Bangladesh e Nigéria, onde vivem mais de 650 milhões de pessoas.

De água, 9,3 triliões de litros, o necessário para cobrir as necessidades básicas anuais de 1,3 biliões de pessoas na África Subsaariana.

De emissões de dióxido de carbono, quase 400 milhões de toneladas, sendo necessárias 6,7 biliões de árvores para as compensar. E de território, mais de 14.500 km², o dobro da área metropolitana de Jakarta, Indonésia, onde habitam mais de 32 milhões de pessoas. E portanto, IA é também, e muito, sinónimo de impacto ambiental (também IA, portanto…).

Dois acrónimos que claramente se imergem. Inevitável. Como qualquer outra atividade humana. Da IA, impressiona perceber a escala do seu IA. Mais impressionaria se as equivalências do relatório versassem sobre áreas europeias. Ajudar-nos-ia a melhor apreender o IA da IA.

Do território, consegui apurar, pela IA automática de um motor de busca da internet, que equivaleria a 5 áreas metropolitanas de Lisboa. E percebi também que o IA de uma pesquisa na IA (ou prompt) é cerca de 10 vezes maior que o IA de uma pesquisa “simples” na internet.

Pior ainda quando se trata de imagens. E é isto que o relatório também destaca. A importância do uso responsável da IA, para reduzir o seu IA.

É premente dirigi-la a aspetos centrais do desenvolvimento global e não a banalidades.

É também interessante perceber que a IA, e a maioria do seu IA, estão hoje centrados em 2 países, Estados Unidos da América e China.

Quererão eles continuar a abarcar tanto IA da IA? As empresas de IA têm já planos para reduzir o seu IA. Serão suficientes? Ou cumpridos?

Veremos qual a mudança de que o mundo será composto daqui a 4 anos…

Até lá, não nos esqueçamos desta imersiva dualidade.

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990