Desporto

Ano glorioso do Sporting Marinhense termina rodeado em incertezas

16 abr 2020 09:43

Clube da Embra preparava-se para festejar duas subidas de divisão, em hóquei em patins e basquetebol, mas espera agora por saber como vão terminar os campeonatos e se tem direito às respectivas promoções.

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Apoio vindo das bancadas tem sido fundamental para o sucesso do Sporting Marinhense
Ricardo Graça

A época avançou ambiciosa para os lados da Embra e tudo levava a crer que seria histórica para o Sporting Marinhense. O clube podia festejar a subida, não uma, mas duas vezes. O hóquei em patins prometia regressar ao melhor campeonato do Mundo, enquanto o basquetebol começava, de baixo, a escalada até ao topo. Só que o coranavírus tudo parou e as contas são uma incógnita.

“Somos um clube histórico do desporto do distrito de Leiria, mas também do desporto nacional. Se é verdade que durante alguns anos vivemos abaixo do que é o nosso lugar e do que são as expectativas dos nossos sócios, neste passado recente vivíamos uma boa fase. Crescemos em número de atletas jovens, recuperando escalões de formação há muito perdidos e envolvendo os pais e as famílias”, sublinha o presidente da Direcção.

Só que a pandemia “tudo parou”. Os responsáveis do Sporting Marinhense esperavam que a interrupção fosse rápida. “Infelizmente, não foi.” E além das pendências desportivas, ficaram “assuntos para resolver”, designadamente o cumprimento das responsabilidades financeiras, explica Mário Rui Mendes. “Uma situação que não tem sido fácil de gerir e de resolver, mas vamos conseguindo. Até porque temos noção de que o próprio Município está atento à situação dos clubes.”

Hóquei em patins

O percurso é praticamente imaculado. O Sporting Marinhense liderou a zona Norte da 2.ª Divisão de hóquei em patins durante as 19 jornadase, para o treinador, a equipa era a mais forte. “Somos, sem dúvida, a melhor equipa da prova. Temos um plantel equilibrado, com jogadores que permitem jogar de várias maneiras, tanto no aspecto defensivo como ofensivo”, explica Nuno Domingues.

O responsável gostava de “continuar a jogar”, acha que se deve “fazer tudo para terminar o campeonato”, mas admite que “a cada dia se torna mais difícil”. “Estamos parados há um mês, temos treinado a parte física, mas faltam os patins.” Entende, por isso, que a decisão da Federação, “qualquer que seja”, já devia ter sido tomada.

Com sete jornadas por disputar, Nuno Domingues defende que só se fará “justiça na plenitude se o campeonato for concluído”, nem que seja “em Julho ou Agosto”. “Se o campeonato não terminar e a época for dada como não válida, será em termos psicológicos muito duro para todos.”

Para o capitão de equipa, Marco Gaspar, acabar agora “não seria justo para ninguém, pois faltam disputar 21 pontos”, mas nem quer pensar se o trabalho de “muitos anos” for atirado fora. “Praticamos por amor à camisola e à modalidade, para atingir esta regularidade é preciso muito sacrifício, sair do nosso emprego e ainda ir treinar, roubar tempo à nossa família. Seria realmente muito frustrante para todos.”

Tudo isto numa época em que, segundo o vice-presidente para o hóquei em patins, o clube fez “uma aposta muito séria” para voltar ao “melhor campeonato do Mundo”, onde acreditam “ter lugar”. “A próxima época já estava a ser tratada. Preparávamos as renovações do actual plantel e já tínhamos identificado e contactado reforços.

“Não sabendo se o campeonato recomeça, se o campeonato é nulo ou se a classificação fica como terminou, é difícil preparar o quer que seja”, sublinha Miguel Bataglia Rodrigues, que deixa uma garantia aos sócios: “voltaremos mais fortes e podem contar connosco para ficarmos muitos e muitos anos na 1.ª Divisão”.

Basquetebol

Nos últimos anos, o Sporting Marinhense foi, paulatinamente, construindo uma base de trabalho para voltar a ser competitivo, também no basquetebol. “Passou por melhorar as condições de trabalho, mais horas de treino, nutricionista, fisioterapeuta e melhoria das instalações”, explica o vice-presidente para a modalidade, Luís Godinho.

A única equipa sénior masculina do distrito de Leiria apostou em atletas da formação e recrutou “os melhores jovens do distrito” que juntou a um pequeno grupo de basquetebolistas mais experientes que “ficaram de épocas anteriores”.

“Esta época fomos buscar três atletas de Cabo Verde para acrescentar valor”, explica o treinador, Amadeu Cardoso. A equipa disputa o CNB2, o quarto escalão do basquetebol nacional, e os resultados falam por si. Passou a primeira fase e entrou com uma vitória esmagadora na fase das decisões.

Acredita o treinador que seriam competitivos, até, no escalão superior. “Logo, será uma frustração enorme se, pelo menos, não nos deixarem continuar a lutar por aquilo que queremos”, desabafa.

O problema é que… só se disputou uma jornada e faltam 15. Entende o adjunto João Amaro que qualquer que seja a decisão da Federação Portuguesa de Basquetebol para a resolução do imbróglio, “não será justa para ninguém”. Para Amadeu Cardoso, a solução poderá passar “por uma final four entre as quatro melhores equipas do grupo, ou campeonato a uma volta”, sempre com a segurança garantida e “sem público”.

Garantem o capitão João Sousa e o sub-capitão Jorge Silvério, que “será uma enorme frustração” se a subida não se concretizar. “Não perdemos qualquer jogo desde Novembro e será, de certa forma, injusto não atingirmos os objectivos, que passavam pela subida de divisão e pela conquista do campeonato.”

Ponto de situação

Mário Rui Mendes entende que o Sporting Marinhense “merece” uma decisão justa quanto à subida à 1.ª Divisão de hóquei em patins e far-se-á ouvir. “A vontade dos atletas, treinadores e Direcção é jogar desde que reunidas as condições de segurança. Iremos reclamar até ao fim pelo nosso direito de subida ou pela conclusão da competição.”

Também no basquetebol a vontade é regressar. “Estando todas as condições de segurança reunidas, queremos jogar e conquistar a subida de divisão. O Sporting Marinhense já fez chegar aos responsáveis a vontade e a intenção de subida.” Está prevista, de resto, para esta quinta-feira, uma reunião com os mais altos responsáveis da Federação “de onde sairão decisões muito importantes”.

“Toda esta indecisão poderá ser fatal para muitos clubes de pequena dimensão se não houver apoios bem definidos e se as federações não nos ouvirem e não perceberem o que está envolvido nesta época desportiva”, considera Mário Rui Mendes. “No caso do Sporting Marinhense, fizemos um investimento na remodelação do pavilhão secundário, no trabalho com um fisioterapeuta e um nutricionista, procurámos melhorar as competências dos nossos treinadores e estamos neste impasse, mas certos de que vamos voltar mais fortes e vamos todos aprender muito com toda esta situação.”

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