Economia

Banca avisa que um “apagão financeiro” é cenário provável

22 mar 2026 18:00

O digital, decorrente do cenário de guerra híbrida e de ciberataques perpetrados com recurso a IA, é um terreno de "riscos invisíveis"

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Cerca de 90% das empresas não sobreviveria ao “dia seguinte” de um ataque cibernético
Fotografia: JSD
Jacinto Silva Duro

Tenha dinheiro em espécie em casa. Os avisos da banca são claros, alerta Rui Duro, country manager da empresa de cibersegurança Checkpoint.

Foi na terça-feira que, durante a mais recente sessão das PME Talks On Road, organizada pela PME Magazine na Startup Leiria e dedicada ao tema Preparação para o Risco, o especialista se dirigiu aos empresários na sala e alertou que um "apagão financeiro" é um cenário provável.

"Tenham em casa cerca de 30 euros por pessoa", disse, aconselhando às empresas um plano de contingência.

O cenário é de "vulnerabilidade extrema", onde o digital — decorrente do cenário de guerra híbrida e de ciberataques perpetrados com recurso a IA — é um terreno de "riscos invisíveis" que podem paralisar as encomendas, a comunicação com os bancos ou finanças e toda a operação logística.

Grosso modo, disse, 90% das empresas não têm plano de recuperação, o que significa que a maioria não sobreviveria ao "dia seguinte" de um ataque cibernético.

"Vamos voltar a ter um 'apagão', e vamos ter um 'apagão financeiro'", afirmou.

Já Orlando Marques, do Grupo Ageas Portugal, revelou que 50% das empresas não têm seguro ou possuem coberturas desadequadas, defendendo que o seguro deve ser visto como protecção estratégica, especialmente após eventos como a tempestade Kristin — "o maior evento de sinistros de sempre em Portugal", com mil milhões de euros de prejuízo calculados até ao momento.

O perito aconselhou a actualização dos montantes cobertos e a inclusão de apólices contra sismos e perdas de exploração.

No capítulo da autonomia energética, Vera Melo, da Cleanwatts, lembrou que, nas tempestades recentes, o investimento em energias renováveis nas empresas pecou pela ausência de armazenamento.

Sugeriu, por isso, o investimento em sistemas de backup e na criação de micro-redes eléctricas territoriais.

Miguel Lopes, director de inovação na TI Incentea, reforçou que a redundância em clouds em geografias distintas é vital para garantir que a empresa não fique "sem rede" perante disrupções.

Por fim, a resiliência financeira exige "sangue frio". Tiago Braga, da Start PME, aconselhou os empresários, em situação de crise, a pararem para pensar e a montarem um mapa financeiro que identifique os activos e os fornecedores-chave.

Só após este passo devem recorrer a linhas de crédito.