Sociedade
Cerca de 600 pessoas aderiram ao apelo para limpar Leiria. “A mobilização é extraordinária”
Agarraram em pás, luvas e sacos de plástico e meteram-se a trabalhar. Entre voluntários e guias, são cerca de 600 pessoas que se distribuíram pela cidade para limpar o espaço público
Ainda não eram 10 da manhã, a hora indicada pelo Município de Leiria, e centenas de pessoas já se dispersavam pela cidade, entre o Parque do Avião e o Percurso Polis, com o propósito de colocar mãos-à-obra e ajudar a limpar o espaço público.
“Divulgámos isto ontem. A mobilização é absolutamente extraordinária, ainda por cima com as limitações de comunicações que temos”, descreveu Luís Lopes, vereador da Câmara de Leiria.
Divididos entre várias equipas, os voluntários dedicaram-se à remoção de árvores caídas e à retirada de detritos e resíduos, com a ajuda de pás, vassouras e luvas, onde a entreajuda foi um dos elementos mais importantes.
O responsável referiu que vieram voluntários “de todos os quadrantes” do País e que, além das acções na cidade, também foram encaminhadas equipas para as freguesias.
“Temos muitas equipas com trabalho mais pesado, retirada e corte de árvores, também retirada de árvores de dentro do rio. Estamos a concentrar [a acção] neste local para conseguirmos, num menor tempo possível, desocupar todos os espaços públicos, também para que as pessoas possam aceder às casas, às garagens e retomar, na medida do possível, a normalidade nos próximos dias”, explicou.
Além do apoio prestado na limpeza do espaço público, esta acção também cumpriu com outro propósito. “Uma das coisas mais importantes em catástrofe é a estabilidade emocional das pessoas. Sentirem-se úteis, integradas, com um sentimento de comunidade. Estamos a tentar trabalhar isso o melhor possível”, admitiu o vereador.
A mobilização não decorreu apenas na cidade de Leiria. Houve equipas que foram encaminhadas para as freguesias, igualmente afectadas pela depressão Kristin, dada a mobilização espontânea dos residentes nestes locais. “Cedemos sacos e luvas. Há um espaço único que é Leiria e é nesse que estamos a trabalhar.”
Perante o impacto sentido nas empresas do concelho, o responsável pela pasta da Protecção Civil compreende que as empresas “não têm capacidade logística de suporte” e o apelo da autarquia já chegou “ao Norte do País, até Espanha”, para mobilizar “mais recursos”.
“Não existe limite para as acções que vão ser desenvolvidas. Não pedimos às pessoas para ser só o espaço público. Tudo o que puderem ajudar, é isso que devem fazer. Nem sequer estamos a seleccionar se os resíduos são públicos ou privados. Isso não existe neste momento. Existe um espaço que é Leiria”.