Sociedade

Curiosistas estimula criatividade de idosos no Louriçal, em Pombal

3 mar 2026 14:04

Projecto da Misericórdia do Louriçal, no concelho pretende passar a mensagem de que “nunca é tarde para aprender”

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Ciência divertida é uma das actividades do projecto
Maria Anabela Silva
Maria Anabela Silva

Chama-se Curiosistas e é o novo projecto da Misericórdia do Louriçal, no concelho de Pombal, que pretende passar a mensagem de que “nunca é tarde para aprender”. Uma vez por semana, os utentes são desafiados a participar em actividades que estimulam a curiosidade, onde se inclui tecnologia e a introdução ao mundo digital, ciência divertida, “com experiências de trazer por casa”, brinca a animadora social Rita Leitão, e atelier de arte. Estão ainda previstas visitas culturais a museus e a monumentos, aproveitando as entradas gratuitas disponibilizadas pelo Ministério da Cultura.

A técnica explica que a iniciativa decorre no âmbito do projecto anual da instituição, subordinado ao tema Envelhecer Curioso, que procura desmistificar a ideia de que “burro velho não toma ensino” e vincar que devemos manter a curiosidade ao longo da vida. “Estamos ocupados e vamos aprendendo mais um pouco. Põe-nos a puxar pela cabeça”, reconhece Carlos Sousa, de 79 anos, que, durante a sessão ciência divertida acompanhada pelo JORNAL DE LEIRIA, mostrou grande entusiasmo.

A iniciativa decorre na sala de actividades da instituição, transformada numa espécie de laboratório. Em torno da mesa, os utentes apresentam-se equipados ‘à cientista’, com avental, luvas e mangas de plástico para proteger a roupa e as mãos. “Vamos fazer um candeeiro de lava”, desvenda Rita Leitão, enquanto distribui o material necessário para a experiência: frascos de vidro, corante alimentar e comprimidos efervescentes fora do prazo “para evitar o desperdício”.

De seguida, coloca água em cada um dos recipientes de vidro, acrescentando o óleo. É chegado o momento de adicionar o comprimido efervescente e esperar que “a magia aconteça”. Ou seja, que a aspirina entre em ebulição dentro do frasco, formando pequenas bolhas que fazem o efeito de lava a sair do interior de vulcão. “Já se vêem as bolinhas”, constata Carlos Sousa, que acrescenta mais um pouco de óleo e outro comprimido para ver o efeito. Há quem sugira fazer uma nova mistura, agora com menos água e uma quantidade menor de corante. E o resultado melhorou.

“Faz mais o efeito do vulcão. Drª Rita, não se esqueça de anotar a receita para a próxima vez”, recomenda o senhor Carlos, com os olhos colados ao frasco para ver a formação das bolhas. Do outro lado da mesa, José Augusto propõe um novo desafio: aproveitar o óleo para novas experiências. E apresenta uma solução para o fazer, socorrendo-se do que aprendeu na vida activa, quando acompanhava a produção de azeite.

“A água ficava no fundo e o azeite por cima. Aqui é igual. Mudamos o óleo para outro recipiente sem deixar misturar a água”, explica o utente, de 83 anos, ao mesmo tempo que põe mãos à obra para executar a tarefa, que exige paciência, mas que resulta. “Muito bem observado. Assim, não há desperdício”, elogia Rita Leitão, no final de mais uma sessão do Curiosistas.