Economia

Depois de década de recordes, exportações de calçado caem 5%

6 dez 2019 09:58

Aquela que se apresenta como a “indústria mais sexy da Europa” vai fechar o ano com quebras nas exportações. Há cada vez mais empresas do calçado em dificuldades

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Ricardo Graça/Arquivo
Raquel de Sousa Silva

Após dez anos a bater recordes nas exportações, a indústria portuguesa de calçado vai fechar o ano com uma quebra de 5% - menos 100 milhões de euros – nas vendas ao exterior. Pelo segundo ano consecutivo, o sector enfrenta descidas nas exportações, ajustamento que a associação APICCAPS vê como “normal”.

“Depois de uma década de crescimento, seria natural que o sector sofresse algum reajustamento. Seria impossível crescer eternamente”, considera Paulo Gonçalves, director de comunicação da associação dos industriais da fileira do calçado (APICCAPS), em declarações ao Jornal de Negócios.

Os primeiros sinais de alerta surgiram no ano passado, com as exportações a recuarem cerca de 3%, para 1,9 mil milhões de euros. E este ano as vendas ao exterior têm estado sempre em terreno negativo e nos primeiros sete meses do ano caíram 7,9%.

Para esta inversão no desempenho da indústria contribuem as alterações em curso no retalho europeu. “O desaparecimento de vários retalhistas condiciona-nos”, justifica Paulo Gonçalves, que acrescenta o “abrandamento de alguns dos nossos principais mercados de destino das exportações, como a França ou a Alemanha”. Pelo contrário, na China e nos Estados Unidos as vendas de calçado português continuam a crescer.

“Sente-se uma quebra nas exportações e as razões são simples. Os custos produtivos subiram e os clientes estão cada vez menos dispostos a pagar pelo produto”, afirma Luís Couto. O administrador da Trofal, empresa da Benedita, frisa que o calçado continua a ser uma indústria de mão-de-obra intensiva, apesar das tecnologias que tem adoptado, e que esse é um custo significativo. Embora reconheça que o desejável é que os trabalhadores ganhem cada vez melhor, sublinha que as empresas não conseguem competir com países onde o custo do pessoal &ea

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