Sociedade

Marinha (com fuzileiros) em Leiria e o 1.º Sargento Caçador volta a casa para ajudar

1 fev 2026 19:41

“Para nós, de Leiria, chegar à Câmara Municipal e não ver aqueles pinheiros, por exemplo, é uma coisa que nos mexe”

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Pedro Caçador integra um grupo accionado a partir do Alfeite
Ricardo Graça

A meio da tarde de domingo, uma equipa especial da Marinha portuguesa, que inclui electricistas e técnicos especialistas noutras áreas, está na encosta do Casal dos Matos, a dar apoio aos serviços municipalizados de água e saneamento (SMAS).

Entre eles, há pelo menos um homem que conhece bem Leiria: Pedro Caçador, que é natural do concelho, onde ainda tem a família mais próxima, na freguesia de Amor.

Estacionado na Base Naval de Lisboa, no navio Francisco de Almeida, só na quarta-feira à noite, e por Whatsapp, mais de 15 horas após a passagem da depressão Kristin, o primeiro-sargento conseguiu contacto com a região.

“A nossa zona foi muito afectada. Conseguimos falar com um vizinho que nos foi ver a casa, só, o telhado um bocado estragado”, explica. “Tive sorte que a minha mãe não estava cá”.

Durante a viagem, com a aproximação a Leiria, mesmo o treino militar se mostra insuficiente para controlar emoções. “Ver a Rodoviária em baixo, ver a Câmara e o Tribunal sem árvores, isso fez-me muita confusão. E depois, ir para casa, e ver a Gândara dos Olivais, que ainda está tudo em baixo, é muito complicado”. Ricardo Caçador aponta o efeito provocado por uma cidade que parece ter desaparecido, pelo menos parcialmente. “Impressionou, porque para nós, de Leiria, chegar à Câmara Municipal e não ver aqueles pinheiros, por exemplo, é uma coisa que nos mexe”. E reforça: “Para nós, que somos de cá, faz-nos confusão o que já não há”.

O grupo, aproximadamente 20 militares, deixa a encosta do Casal dos Matos com o objectivo cumprido: desimpedir a estrada de acesso ao reservatório de água dos SMAS, que estava obstruída por árvores, para garantir a ligação de um gerador, de modo a que a infraestrutura possa voltar a funcionar e a injectar água na rede.

É a primeira missão do dia e a primeira acção no terreno desde a chegada da equipa – que está alojada no Regimento de Artilharia 4, na Cruz da Areia – a Leiria com o propósito de ajudar a reparar os estragos provocados pelo temporal.

Em Leiria, a Marinha portuguesa tem também vários elementos dos Fuzileiros, uma unidade de forças especiais.