Economia

Moldes: desafios da digitalização ganham-se com pessoas capazes de aprender

28 nov 2019 11:25

Transformação acelerada a que as empresas estão sujeitas, aliada à automação de inúmeras tarefas, levará a uma cada vez maior valorização das competências comportamentais e sociais

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Ricardo Graça/Arquivo
Raquel de Sousa Silva

Numa economia em que um número crescente de actividades está a ser automatizado, são as pessoas que fazem e distinguem as empresas. Aos desafios colocados pela digitalização será preciso responder com a qualificação dos recursos humanos e com a valorização das chamadas soft skills.

O alerta foi deixado na passada sexta-feira por Luís Mira Amaral num dos painéis do X Congresso da Indústria de Moldes, onde vários empresários defenderam a necessidade de a formação académica e profissional ser adaptada aos novos paradigmas. Para o representante da CIP, “as atitudes e comportamentos perante os desafios são questões fundamentais”.

A transformação acelerada a que as empresas estão sujeitas, aliada à automação de inúmeras tarefas laborais, levará a uma cada vez maior valorização das competências comportamentais e sociais, como a capacidade de resolução de problemas complexos, criatividade, capacidade de colaboração e inteligência emocional, entre outras.

Mira Amaral lembrou ainda a falta de recursos humanos, sentida não apenas pela indústria de moldes mas também por outras, considerando que “é o grande estrangulamento” ao desenvolvimento da economia portuguesa. “A fábrica Portugal SA tem falta de recursos humanos para poder crescer”, disse no evento realizado na Quinta do Paul, concelho de Leiria.

Nuno Silva, da Moldit, lembrou que as mudanças em curso trazem associada a necessidade de novas competências, pelo que o grande desafio é a adaptação da formação. Reconhecendo a importância das soft skils, o empresário destacou também a importância do conhecimento técnico. E frisou que, não havendo pessoas suficientes para entrar no sector, “será preciso aproveitar as que temos da melhor forma possível”.

O também presidente do Centimfe mostrou-se ainda preocupado com a formação que, num contexto de cada vez maior digitalização, será preciso dar às 11 mil pessoas que trabalham actualmente no sector dos moldes, a maioria de “idade madura”. Colocá-las 'à vontade' face a novos processos pode ser “extremamente difícil”. Por isso, a transformação em curso implica um “olhar urgente” para a formação.

“Vamos continuar a precisar de pessoas, apesar da digitalização. Os novos processos tecnológicos vão ajudar a colmatar a falta de mão-de-obra”. Nuno Silva partilhou a ideia, antes avançada por Mira Amaral, de que as empresas tenderão a contratar pessoas que mostrem capacidade de aprender ao longo da vida, mesmo que vindas de outras áreas. Depois, cada empresa ministrará formação técnica à medida.

A este propósito, Tiago Cruz, gerente da Neckmolde, referiu que nesta empresa há três “casos de sucesso” de profissionais cuja formação base é da área da cozinha. Mas têm competências consideradas fundamentais na área dos moldes, como a organização e a capacidade de trabalhar sob pressão.

“São as pessoas que dão vantagens competitivas às empresas e as tornam inimitáveis”, defendeu por sua vez Jorge Santos. O director-geral da Vipex afirmou que a única coisa que pode diferenciar uma organização é a forma como se articula, porque todos sabem onde comprar equipamentos e matérias-prim

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