Opinião

Somos todos cúmplices

13 dez 2018 00:00

Hoje, quase todos nós, homens e mulheres também, pactuamos com um pensamento cuja percussão perpetua os maus-tratos infligidos às mulheres.

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No dia em que escrevo este comentário, vinte e quatro mulheres foram assassinadas ao longo deste ano, em Portugal, pelas bestas humanas que escolheram para seus maridos, companheiros, pais ou tão-somente supostos cuidadores dos seus filhos.

Provavelmente aquando desta edição o número terá já aumentado. Todos conhecemos, pelo menos, uma história em que a lei que deveria proteger a vítima a fragiliza ainda mais, de juízes que impõem decisões onde a vítima fica à mercê do verdugo, forças da autoridade que não agem em tempo próprio, entidades que agem de modo pouco célere, teóricos que defendem o indefensável, família e amigos que desvalorizam as queixas e evitam comprometer-se na solução.

Contudo não hesito em acusar-nos a quase todos de sermos cúmplices desta barbárie. Antes de uma coisa acontecer há sempre um pensamento sobre a coisa. Uma matriz mental não tangível e por isso mesmo difícil de provar, uma atitude do pensar que condiciona as nossas respostas.

Hoje, quase todos nós, homens e mulheres também, pactuamos com um pensamento cuja percussão perpetua os maus-tratos infligidos às mulheres. Em nome de coisa nenhuma as mulheres são o mote de venda de qualquer produto. A mulher-objeto, a mulher-coisa, entranos pelos écrans de televisão em qualquer momento.

Para que compremos um detergente, um sabonete, uma peça de roupa, umas férias, um carro, um medicamento até. A mulher-exposta é moeda corrente de troca em qualquer revista cor-de-rosa, nas páginas de alguns jornais.

A mulher-só-corpo é

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