Opinião

Apoiar o jornalismo contra a mediocridade

24 jan 2026 16:19

Com o país refém da mediocridade mediática, é, por isso, cada vez mais essencial resistir

No domingo, depois de uma fantástica jornada eleitoral aqui em Barcelona - com ida presencial às urnas ao meio-dia, almoçarada e resto de tarde desportiva bem regada, como manda a sapatilha -, cheguei a casa e liguei a televisão portuguesa, com uma leve esperança de poder ver e ouvir “os protagonistas do dia”.

Bastou um minuto para me lembrar porque é que há meses a fio que não ligo a televisão portuguesa. “Vim agora da missa”, repete o energúmeno duas ou três vezes antes de se lançar nas habituais ladainhas mentirosas e repetitivas.

Mudei de canal uma e outra vez, numa ridícula busca por algo que não fosse isto. Impossível. Oito canais (oito!!) deslumbrados pelo abismo.

A falta de coragem editorial em Portugal é atroz e explica muito do que se tem passado nos últimos anos e do estado miserável das coisas. Não há coragem para sair do guião que os próprios meios de comunicação - com as televisões à cabeça - começaram a escrever a partir do momento em que esta gente os convenceu de que eram eles e as suas ideias sinistras o que o povo queria.

E se não era, passou a ser. E, passou a ser, porque quem manda no jornalismo em Portugal assim o quis e os jornalistas, mal pagos, precários e sem alternativas, pouco ou nada conseguiram fazer.

Generalizo? Sim, certamente. Mas, neste caso, as excepções são tão poucas que, infelizmente, quase não contam. Sem a adaptação a modelos de negócio diferentes, em que a dependência de outros que não os leitores ou os telespectadores, praticamente não exista, a comunicação social de grande impacto em Portugal continuará a ser nada mais que o megafone dos encantadores de burros desta vida.

Uma comunicação social forte e financeiramente independente protege a liberdade, reforça a transparência, empodera os cidadãos e sustenta a democracia no longo prazo.

Em Portugal tudo isto é, hoje, uma miragem. Com o país refém da mediocridade mediática, é, por isso, cada vez mais essencial resistir. Portanto, se tiverem a oportunidade de contribuir para projectos informativos independentes, democráticos e livres, não hesitem. Façam-se sócios, paguem uma subscrição, divulguem e espalhem a palavra. Sem um jornalismo verdadeiro, não pode haver esperança num futuro melhor.