Opinião
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Para todos é essencial reduzir a quantidade de gordura acumulada, sobretudo a visceral, aquela da região abdominal, por ser mais perigosa
A obesidade é um sério problema de saúde individual e de saúde pública. Precursora de tantos outros problemas de saúde, merece uma atenção redobrada, a vários níveis, incluindo a investigação, para melhor entender os seus vários e diversos mecanismos fisiopatológicos e assim contribuir para o surgimento e otimização de novos tratamentos.
Anteriormente baseada apenas na relação entre peso e altura, novas definições e classificações têm surgido, na sua maioria baseadas no efeito deletério que o excesso de gordura nos causa, a uns mais rapidamente que a outros, e nuns de forma diferente de outros.
Para todos é essencial reduzir a quantidade de gordura acumulada, sobretudo a visceral, aquela da região abdominal, por ser mais perigosa. E novos fármacos têm surgido, com bom efeito. Mas não chegam, sob várias perspetivas.
A primeira, e a mais importante, é que se a pessoa não adotar um estilo de vida saudável, centrada numa dieta equilibrada, atividade física regular e uma boa noite de sono, o medicamento não chega ao seu máximo efeito de reduzir gordura e melhorar a saúde. A segunda é que não chega, em quantidade, para a sua procura atual.
E isto leva-nos a várias questões. Uma delas o seu custo, bastante elevado, mas que não tem inibido as pessoas de os adquirirem. Outra, o facto de não serem comparticipados, o que impede as pessoas de menores recursos financeiros de deles beneficiarem. Outra ainda, o mercado negro associado, de que várias notícias recentemente alertaram.
Mas enquanto nada disto se resolve, também nas suas várias e diversas perspetivas, pode cada um de nós, tendo ou não excesso de peso, procurar melhorar o seu estilo de vida, dado ser este o aspeto basilar para melhorar este, e qualquer outro, problema de saúde.
Como digo muitas vezes, os medicamentos só atuam em cima do que nós fazemos. Por isso, mesmo quem consegue aceder a estes novos medicamentos, se não melhorar a sua dieta, atividade física e sono, está a desperdiçar um valor acrescentado, e a perder a oportunidade de capitalizar a sua saúde para níveis mais elevados face ao investimento que está a fazer.
Um problema multifatorial só se resolve com uma abordagem também ela multifatorial. Investir em hábitos saudáveis, com um sem ajuda especializada, conforme as capacidades de cada um, é tão ou mais importante quanto o investimento numa injeção semanal de uma hormona que inibe o apetite. Essa injeção ajuda, muito, mas sozinha, fica muito aquém do seu valor. Bons hábitos? São sempre ganhos.
Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990