Opinião

Para quê tanta pressa?

28 fev 2025 16:34

Tenho para mim que André Ventura ainda não percebeu o risco do desgaste político, de querer ser tudo e mais alguma coisa, só pelo desejo de se manter à tona do debate político

Neste ano de 2025 começou a concretizar-se a apresentação de candidaturas e putativos candidatos às eleições presidenciais de Janeiro de 2026. Não me recordo de umas eleições em que os candidatos tenham tido a necessidade de iniciar a sua campanha com tanta antecedência. Para lá de uns quantos que sempre hão-de constar nos boletins de voto, são para já conhecidas as candidaturas de Luís Marques Mendes e de Mariana Leitão. Como sabemos, que dependem da vontade pessoal de cada candidato, que vão depois angariando o apoio das principais forças políticas.

Se Marques Mendes, não renegando as suas origens de social-democrata, fez a sua apresentação num acto individual, já o nome de Mariana Leitão foi conhecido na sessão de encerramento da Iniciativa Liberal. O Partido Socialista também parecia querer ir pelo mesmo caminho, (chegou a estar agendada uma reunião interna para discutir e escolher o candidato da área socialista), mas António José Seguro, ex-líder, parece não querer facilitar a escolha e, inclusivamente, não há dúvidas de que a está a condicionar, até pelo simples facto de não ser o preferido de Pedro Nuno Santos.

Para não variar, as hostes socialistas animam-se, e dividem-se repetidas vezes, nestas circunstâncias. O homem do Partido Unipessoal, André Ventura, também vai repetir a sua candidatura, demonstrando quão difícil lhes é encontrar soluções, até depois da fraca experiência das últimas eleições europeias.

Tenho para mim que André Ventura ainda não percebeu o risco do desgaste político, de querer ser tudo e mais alguma coisa, só pelo desejo de se manter à tona do debate político. Pena que a triste figura da semana passada, na apresentação da moção de censura ao Governo, com a sua reprovação garantida desde o início, não o faça perceber que os portugueses começam a estar fartos de actos políticos interesseiros e sem qualquer ganho para a sua vida.

Foi por isso muito interessante a estratégia social-democrata de apresentar o trabalho feito deste Governo em oposição à demagogia e populismo de André Ventura. Seria muito interessante perceber, já agora, se manteria a sua candidatura presencial caso a moção de censura fosse aprovada ou pelo caminho ainda queria ser candidato a primeiro-ministro.

E como ninguém parece querer ficar para trás, eis que o Almirante Gouveia e Melo decide escrever um artigo de opinião na última edição do jornal Expresso, em que não consegue disfarçar a sua vontade, apresentando já muitas linhas daquilo que será um programa de candidatura. Estou bastante curioso para perceber como se vai preencher o espaço mediático durante tanto tempo e como uma gestão equilibrada será decisiva para não saturar os eleitores antes de tempo, podendo ter como consequência a sua indiferença. Mas como a procissão ainda nem chegou ao adro, voltarei ao tema mais lá para a frente.

Agora é fundamental que não nos esqueçamos, que lá para o último fim-de-semana de Setembro teremos eleições autárquicas, apesar de ainda não conhecermos todos os candidatos. Essas, sim, que decidem quem governa nas nossas terras, pelo que não se percebe mesmo tanta pressa na corrida presidencial.