Opinião
Quando a História evolui
Até esta quinta-feira passada, era vedado às mulheres participarem ativamente naquele que é o momento alto da expressão estudantil em Coimbra. E isto, no século XXI, era inadmissível
Na passada quinta-feira assisti a um marco histórico para a nossa região. O Politécnico de Leiria passou a Universidade de Leiria e do Oeste. Estive na cerimónia. Ouvi o primeiro-ministro afirmar a importância da Educação. Desde o primeiro dia das nossas vidas. E que é todo o país que ganha quando cada um de nós alcança e concretiza o seu máximo potencial profissional, através do curso superior com que sonhou e para o qual trabalhou. Ou qualquer outro curso que lhe permita ser profissionalmente o que para si idealizou.
Esta é a responsabilidade do Ensino. E de todos nós. Promover e alcançar a máxima realização pessoal. Quando não o fazemos, todo o país perde. Enorme verdade.
No final do dia, passei da Universidade mais nova do país para a mais velha. A de Coimbra. Para aí assistir a outro marco histórico. O fado de Coimbra a ser cantado no feminino. Na Serenata Monumental da Queima das Fitas 2026. Parece absurdo destacar duas coisas aparentemente tão distintas. Mas a concretização do sonho de cantar Coimbra em soprano, mezzo-soprano ou contralto e não apenas em tenor, barítono ou baixo, tem em si uma importância histórica essencial para o universo universitário. Ao qual agora também a Universidade de Leiria e do Oeste pertence.
Até esta quinta-feira passada, era vedado às mulheres participarem ativamente naquele que é o momento alto da expressão estudantil em Coimbra. E isto, no século XXI, era inadmissível. Mas a História, na sua componente da Tradição, foi impondo isso. Até quinta-feira passada. Mas a partir de agora, quem lá chegar, à Universidade mais velha do país, já não vai encontrar esta discriminação de género.
A História evoluiu. E isto é um marco importante no nosso mundo atual. Onde ainda hoje esta e tantas outras formas de discriminação perduram e até, absurdamente, são incentivadas em diversas esferas da sociedade. O discurso do primeiro ministro, aqui em Leiria, destacou o quanto todo o país ganha quando todos nós alcançamos os nossos sonhos. Anular discriminações, que são sempre absurdas, é um sonho que tem de deixar de o ser.
Quinta-feira passada viveu dois marcos históricos para a concretização desse propósito. Cabe agora à mais recente Universidade do nosso país (continuar a) ser balaústre da concretização dos sonhos pessoais e ambições profissionais de todos aqueles que a escolhem para esse fim e de todos aqueles que nela trabalham, também para esse fim. Sem distinções, sem discriminações. Porque todos juntos somos mesmo mais fortes.
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990