Opinião
# Um cidadão comum
O cidadão comum Gonçalo, é próximo dos seus munícipes e por isso o chamamos pelo nome…
Nunca ponderei este meu espaço como um espaço assumidamente político, ainda que qualquer tomada de posição face a um assunto, é por conseguinte assumidamente política.
Corrigindo : nunca considerei este meu espaço de partilha e reflexão como um espaço partidário e como tal hoje queria falar-vos de um cidadão comum chamado Gonçalo. Tenho 47 anos e mesmo que muitas vezes em muitos sítios, vivo em Leiria desde que nasci.
Conheci o cidadão comum Gonçalo há quase vinte anos, no Governo Civil, quando naquela altura eu e o Maestro Paulo Lameiro, por lá fomos apresentar o Pinhal das Artes, ao senhor Governador Civil e onde ocupava o cargo de seu adjunto.
O Pinhal das Artes era um festival de artes para todas as infâncias, um evento belíssimo, peculiar e arrojado para a época, que implicava autorizações específicas e um cuidado extremo com a floresta e com a segurança das famílias, que o visitariam. E, nessa altura com um sorriso, num misto de profissionalismo e empenho, o cidadão comum Gonçalo, ajudou-nos a concretizar com sucesso e em segurança um momento marcante da história da SAMP e das memórias de muitas famílias.
Mais tarde, o cidadão comum Gonçalo por mérito próprio, passou a vereador da cultura na sua também cidade natal, e, segundo me fui apercebendo, de uma maneira ou de outra sempre se preocupou em ir conhecendo diferentes manifestações artísticas ou propostas que lhe iam surgindo, e mesmo que assumidamente as desconhecesse, foi apoiando, e acreditando criando condições para que o movimento associativo as pudesse ir concretizando, sem nunca cortar as pernas à revitalização cultural e a propostas tantas vezes disruptivas.
Mais tarde, caiu-lhe no colo a presidência do município, ao cidadão comum Gonçalo, revalidada nos anos seguintes por sufrágio universal, por mais do que uma vez.
O cidadão comum Gonçalo tem feito, como outros cidadãos comuns com outros nomes, muitas coisas com as quais não me identifico, ou que poderia sugerir fazer diferente.
Mas, as coisas incríveis que o cidadão Gonçalo e a sua equipa diminuta face às necessidades efetivas e que está exausta, têm feito, as nobres , as para o bem comum de todos nós, são imensamente superiores ao seu inverso.
O cidadão comum Gonçalo, é próximo dos seus munícipes e por isso o chamamos pelo nome…
Essa preocupação foi notória na pandemia, no acolhimento de população migrante, na causa humanitária face à guerra Rússia Ucrânia, na defesa de um hospital digno para quem cá está, no sonho de uma Rede Cultura 2027, na recuperação da Villa Portela, na qualidade de vida e tantas outras coisas que poderão caso queiram, fazer o exercício, e não será muito hercúleo, de completar neste texto que não faço por economia de carateres… e agora nesta Kristin que nos veio roubar as memórias e a vida normal.
O cidadão comum Gonçalo veste todos os dias por baixo do seu fato uma camisola chamada Leiria, que acredito estar-lhe mesmo colada à pele.
É um cidadão comum, e os cidadãos comuns são humanos. E como humanos, os que humanistas somos, fazemos o melhor que sabemos e que podemos em situações que nos apanham desprevenidos.
Mesmo que haja sempre quem critique sem levantar um dedo para colaborar, sugerir sem atacar, ou ajudar a fazer melhor.
Mesmo que haja ainda tanto sempre por fazer. Deixo-vos como desafio espreitarem a letra da música “We Got The Power” dos Gorillaz e de a ouvirem bem alto.
Dedico-a ao cidadão comum Gonçalo e a todos os que quiserem identificar-se com ela.