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Ciclo de Música Exploratória: descobrir fronteiras até onde a imaginação alcança

2 mai 2026 11:35

Hoje na Igreja da Misericórdia com dose dupla de concertos

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A compositora Teresa Castro editou já este ano o longa-duração Soon After Dawn no projecto Calcutá
Rui Palma / Fade In

Este ano, todos os concertos do Ciclo de Música Exploratória Portuguesa (CMEP) têm acesso gratuito, por iniciativa da Fade In, a associação responsável pela curadoria e organização do programa, que com esta medida procura ajudar a mitigar o afastamento, eventual, por parte do público da cultura, causado pelas despesas relacionadas com os efeitos da depressão Kristin.

Entrada livre, como livre é o pensamento na origem do Ciclo de Música Exploratória Portuguesa, que leva ao lugar do protagonismo, em palco, propostas artísticas menos óbvias e mais capazes de surpreender. Um encontro com linguagens e formatos que, garantidamente, não passam no horário nobre das rádios generalistas, mas, por outro lado, desafiam convenções e estimulam a riqueza da escuta.

Criado durante a pandemia de Covid-19, como resposta aos constrangimentos que temporariamente limitaram a indústria de espectáculos ao vivo, o CMEP acaba por ser afectado, nesta sexta edição, pelas tempestades ocorridas em Leiria nos meses de Janeiro e Fevereiro. O arranque estava anunciado para 4 de Abril, no entanto, devido a obras de reparação na Igreja da Misericórdia, um espaço dessacralizado, os primeiros concertos só vão acontecer no próximo sábado, 2 de Maio, a partir das 18 horas.

Para começar, a Fade In oferece a oportunidade de ouvir e ver ao vivo os projectos Turning Point (de Santa Maria da Feira) e Calcutá (de Teresa Castro, actualmente a residir no Porto).

O trio Turning Point, segundo Carlos Matos, presidente da Fade In, “afirma uma abordagem híbrida entre música, poesia e performance” e “explora um território onde o fado, a electrónica, a música experimental e o spoken word coexistem de forma orgânica”, ou seja, “um espaço intermédio entre o recital, a instalação sonora e o teatro musical” que revela “um pensamento estético singular e inquieto”. Calcutá, entretanto, oferece “um universo sonoro que cruza folk, drone e electrónica” e “constrói paisagens hipnóticas feitas de repetição, silêncio e densidade tímbrica”, numa “experiência envolvente onde o tempo parece suspender-se e a escuta se torna profundamente sensorial”.

No mesmo texto, publicado no JORNAL DE LEIRIA na edição da última quinta-feira, 23 de Abril, Carlos Matos resume o caderno de encargos do CMEP: “Um ciclo que se pretende espaço de descoberta e escuta activa, celebrando práticas artísticas que desafiam fronteiras e expandem as possibilidades da música portuguesa contemporânea”.

Há concertos – dez, no total – prolongam-se até Novembro, sempre na Igreja da Misericórdia – Centro de Diálogo Intercultural de Leiria. Os artistas anunciados para 2026 são Frederica Vieira Campos, Amuleto Apotropaico, Má Estrela, Joana Guerra & Yaw Tembe, The Selva, Bruna de Moura, Jorge Ferraz toca Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre Redux e Rapaz Improvisado (alter-ego de Leonel Mendes, também conhecido como Leonel Mendrix, guitarrista e compositor do concelho de Pombal).