Sociedade
Falta de efectivos põe em causa tempos de resposta da polícia, avisa comandante
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O comandante distrital da Polícia de Segurança Pública de Leiria voltou a alertar para a falta de polícias na região, denunciando que “facilmente se percebe que com menos efectivos e mais ocorrências, os tempos de espera aumentam”.
“Esta é uma evidência. A resposta policial está mais demorada. Bastará um carro-patrulha deslocar-se a um furto num estabelecimento comercial, para se perceber que a resposta fica claramente comprometida”, tendo em conta o tempo que demoram todas as diligências, assumiu Domingos Urbano Antunes, no discurso do 152.º aniversário, que foi marcado pela tempestade Kristin.
O comandante exemplificou ainda, na Marinha Grande, onde decorreu a cerimónia, com a sinistralidade, apontando uma “excessiva carga burocrática” que envolve um acidente. “Num tempo tecnológico, continuamos a participar acidentes rodoviários como há décadas. É urgente esta transição digital para tornar o trabalho policial mais eficiente e mais qualificado”, reforçou.
Domingos Urbano Antunes sublinhou que, em 2025, o distrito registou um aumento de 6,8% quanto à criminalidade geral e um aumento de 7,8% na criminalidade violenta e grave.
“Já nos primeiros cinco meses deste ano, registámos sensivelmente o mesmo índice da criminalidade geral, mas uma baixa de 2% relativamente à criminalidade violenta e grave”, revelou o comandante, ao advertir que o número de ocorrências diário tem aumentado em comparação com a “contínua redução de efectivos”.
Apesar da “manifesta falta de recursos humanos”, o superintendente garantiu que o comando tem procurado honrar os compromissos, “assegurando 532 policiamentos desportivos e 116 de natureza diversa, cultural, social e religiosa”.
Tal encargo operacional só foi possível “com recurso a despachos excepcionais, de limitação de folgas e até de férias” e “aquilo que seria de carácter excepcional tem vindo a tornar-se a normalidade”.
Como forma de responder à falta de efectivos, Domingos Urbano Antunes revelou que introduziu algumas reformas nas diferentes valências para ganhar escala e melhor eficácia, concentrando recursos humanos na investigação criminal ou na violência doméstica.
Também o presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, apelou à “necessidade urgente de reforçar os efectivos da PSP” no concelho. “Mais proximidade significa mais prevenção. Mais prevenção significa mais segurança e mais segurança significa mais qualidade de vida para todos os cidadãos.”
Kristin atingiu PSP
Domingos Urbano Antunes recordou o dia 28 de Janeiro, quando a tempestade Kristin atingiu a região, onde as infra-estruturas do comando distrital e a esquadra da Marinha Grande não foram poupadas.
“Fomos uma grande equipa, fomos fabulosos na resposta. É nestes momentos de risco acrescido que se põe à prova a capacidade das instituições, das lideranças e o carácter dos polícias na missão de cuidar, zelar e proteger os outros”, elogiou toda a equipa.
E, “mesmo sofrendo adversidades graves”, o comandante reafirmou que foram os “primeiros a sair para a rua” e à primeira hora da manhã já tinham chamado o Corpo de Intervenção.
Com o secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e o director nacional da PSP, Luís Carrilho, desafiou este último a “uma revisão na autonomia financeira dos comandantes, para tornar mais ágil a gestão diária das necessidades logísticas, indispensáveis ao funcionamento dos serviços”, “sem se prescindir do controle dos mesmos”.
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