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Sociedade

Fóssil de leopardo-das-neves descoberto em Porto de Mós revela mistérios da espécie

16 jan 2025 14:23

O fóssil de leopardo, descoberto em 2000, no Algar da Manga Larga, na freguesia de Mendiga, Porto de Mós, trouxe novos dados à ciência sobre a espécie, que está “criticamente ameaçada”

Crânio encontrado aquando da descoberta do fóssil no ano 2000
Crânio encontrado aquando da descoberta do fóssil no ano 2000
Esqueleto do 'Leopardo do Algar da Manga Larga' encontra-se no Museu Geológico de Lisboa
Esqueleto do 'Leopardo do Algar da Manga Larga' encontra-se no Museu Geológico de Lisboa
DR
Crânio encontrado aquando da descoberta do fóssil no ano 2000
Crânio encontrado aquando da descoberta do fóssil no ano 2000
Esqueleto do 'Leopardo do Algar da Manga Larga' encontra-se no Museu Geológico de Lisboa
Esqueleto do 'Leopardo do Algar da Manga Larga' encontra-se no Museu Geológico de Lisboa
DR

O fóssil, que se encontra no Museu Geológico de Lisboa, foi estudado por uma equipa internacional, incluindo cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que concluiu que afinal não se trata de um fóssil de um leopardo comum, mas sim de de um leopardo-das-neves, cujos ossos se encontram no Museu Geológico de Lisboa.

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Segundo o estudo, citado por um comunicado da Nova FCT, durante as fases mais frias da última Idade do Gelo, os leopardos-das-neves “expandiram-se para além dos Himalaias, até à China Central, numa reviravolta surpreendente, também para o Oeste, até à Península Ibérica”. Foi, aliás, neste território, mais propriamente no concelho de Porto de Mós, que se encontrava o esqueleto do exemplar estudado, incluindo um crânio “quase perfeitamente preservado”, conhecido pelo ‘Leopardo do Algar da Manga Larga’.

O estudo deste fóssil permitiu aos investigadores concluir que os leopardos-das-neves “dão prioridade a terrenos íngremes e rochosos e a climas frios, sem precisar necessariamente de altitudes elevadas” como se defendia até aqui, assinala aquele comunicado.

A investigação possibilitou ainda a recolha de elementos sobre as características “únicas” da espécie, que a diferenciam dos leopardos comuns. Estes, “evoluíram ara caçar presas rápidas, e ágeis em habitats parcialmente florestais”, enquanto os leopardos-das-neves desenvolveram características distintas para “dominar as paisagens montanhosas, incluindo molares maiores, crânios abobados e mandíbulas e patas mais fortes, perfeitas para abater presas robustas como cabras montesas”, avança o comunicado da Nova FCT.

Segundo o estudo, a sobrevivência dos leopardos-das-neves em terrenos montanhosos e estéreis” implicou adaptações das espécie, como o melhoramento da visão binocolar, uma grande estrutura craniana ectotimpánica para uma melhor audição, e membros poderosos para suportar o impacto de saltos entre rochas e uma cauda longa para equilíbrio”.

Estas descobertas “têm implicações significativas para a conservação dos leopardos-das-neves, uma espécie criticamente ameaçado”, assinala aquela nota de imprensa, que cita Darío Estraviz-López, um dos investigadores envolvidos no estudo, que considera “uma grande surpresa encontrar um membro desta linhagem de felídeos no Plistocénico de Portugal”.

“Isto comprova a relevância de reestudar materiais depositados em museus, assim como a colaboração internacional, pois esta descoberta só foi possível graças a grande contextualização com outros materiais procedentes da China”, assinala o investigador, que é estudante de doutoramento em Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

 

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