DEPRESSÃO KRISTIN

Leiria convoca população para vigília por perdas humanas e falta de electricidade

7 fev 2026 13:35

Próxima segunda-feira, 9 de Fevereiro, pelas 20 horas

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Concentração marcada para a Fonte Luminosa
Ricardo Graça/Arquivo

Um acto de solidariedade com quem ainda não tem electricidade e, por outro lado, de homenagem pelas vítimas do mau tempo em todo o País.

Na próxima segunda-feira, 9 de Fevereiro, pelas 20 horas, a Câmara de Leiria convida a população para uma vigília, a acontecer na Fonte Luminosa, no centro da cidade.

Convocamos todas as pessoas, num acto de solidariedade, para todos, não só os de Leiria, mas toda esta região, que estiveram, têm, tantos dias privados de electricidade e pela falta de soluções, que tardam a aparecer”, anunciou este sábado o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, durante o briefing realizado no quartel dos bombeiros municipais.

O autarca lembra “a saturação psicológica” de quem ainda tem a vida condicionada, nomeadamente pela falta de electricidade, e pede “humanismo” à E-Redes: Se os portugueses tiveram a experiência, durante 12 horas, aquando do apagão, imaginem o que estas pessoas estão a sofrer”.

No mesmo briefing, Gonçalo Lopes leu uma carta aberta dirigida ao presidente do conselho da administração da E-Redes e saída da reunião mantida hoje entre o Município de Leiria e os presidentes das juntas de freguesia do concelho.

O texto, em que se pede “respeito pelas populações”, começa por lembrar os “milhares de cidadãos que continuam privados de um serviço essencial”, quando “passaram já 11 dias” desde a depressão Kristin.

No concelho de Leiria há “ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia eléctrica, sobretudo nas zonas mais rurais”.

“Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”, explicou.

Os autarcas de Leiria consideram que “não podem aceitar” o cenário que prevalece no terreno e apontam a necessidade de “disponibilização de geradores”.

Na carta aberta, que arrasa o desempenho da E-Redes até ao momento, presidente da Câmara e presidentes de junta exigem “a divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização” e “a criação de um canal directo, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia”.

Por outro lado, defendem que “impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”, pela indisponibilidade de acesso a energia eléctrica.

O documento critica “a ausência de informação” por parte da E-Redes e “a insuficiência de medidas de mitigação”, aspectos que “tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono”.

Refere, ainda, “as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem electricidade”.