Sociedade

Petição subscrita por docentes do Politécnico exige “transição justa” para a Universidade de Leiria e Oeste

9 jul 2026 12:44

Documento entregue esta manhã nos serviços centrais do Politécnico, no mesmo dia em que foi publicado o diploma que cria a nova universidade

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Petição, subscrita por 236 docentes, foi entregue esta manhã
Ricardo Graça
Maria Anabela Silva

Um grupo de docentes do Politécnico de Leiria entregou, esta manhã, uma petição subcrita por 236 dos cerca de 1.100 professores da instituição a exigir “uma transição justa” para a Universidade de Leiria e Oeste e a pedir "transparência" no processo.

O documento, dirigido ao presidente da instituição, foi entregue nos serviços centrais do Politécnico a um dos vice-presidentes, no mesmo dia da publicação em Diário da República do diploma de criação da Universidade de Leiria e Oeste (ULO).

Reconhecendo que a transformação em universidade constitui “um momento de grande importância” para a instituição, os signatários defendem, no entanto, que a futura universidade “não pode nascer à custa da desvalorização do trabalho docente, do aumento da precariedade, da diminuição da qualidade do ensino ou da intensificação das cargas lectivas”.

Segundo Ana Mendes, professora na ESTG e dirigente do Sindicato de Professores da Região Centro - estrutura que promoveu a petição juntamente com o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa -, em causa estão, por exemplo, algumas das normas previstas no Projecto de Regulamento de Recrutamento, Seleção e Contratação de Pessoal Docente Especialmente Contratado, que prevê que estes docentes passem a leccionar mais horas semanais, mantendo a mesma remuneração, como o JORNAL DE LEIRIA já noticiou.

À entrada para a reunião onde a petição foi entregue, a sindicalista referiu ainda que em cima da mesa está também a não renovação dos contrados desses docentes a 1 de Agosto, como acontecia até agora, e apenas a partir de 15 de Setembro, o que significa um mês e meio sem salário.

“Os docentes e investigadores do Instituto Politécnico de Leiria não podem, nem devem, ser chamados a financiar esta transformação através da perda de direitos, da sobrecarga de trabalho ou da desvalorização das suas funções”, lê-se no texto da petição.

Os signatários lamentam ainda que o processo de transformação em universidade esteja a decorrer “sem que a comunidade académica conheça os seus termos essenciais” e “ sem informação partilhada, sem debate”, alegando que, pelas implicações que tem para as carreiras, vínculos laborais e condições de trabalho de “centenas” de docentes e investigadores, “é essencial que decorra com total transparência e com o envolvimento efectivo da comunidade académica”.

Estas críticas são refutadas por Carlos Radadão, presidente do até agora Politécnico de Leiria, que, em comunicado, garante que, “desde o primeiro momento”, a insitutição tem “procurado promover o diálogo e criar oportunidades para auscultar a comunidade académica, recolher contributos e esclarecer as questões que têm vindo a surgir ao longo deste processo”.

Carlos Rabadão refere a realização de sessões abertas nas várias escolas, “uma prática regular” da actual presidência, mas que, no contexo actual, de transformaão em universidade, têm permitido “esclarecer dúvidas, partilhar informação sobre a evolução deste processo e promover uma reflexão conjunta sobre esta nova etapa da instituição”.

O responsável alega ainda que o Projecto de Regulamento de Recrutamento, Seleção e Contratação de Pessoal Docente Especialmente Contratado, “um dos instrumentos que tem suscitado mais questões”, esteve em consulta pública “precisamente para permitir que docentes, investigadores e demais interessados pudessem apresentar contributos, sugestões e propostas de melhoria, que foram tidos em consideração”.

“A instituição mantém o compromisso de concretizar este processo com transparência e em permanente diálogo com a comunidade académica, partilhando, em cada fase, toda a informação que possa ser disponibilizada e promovendo os mecanismos de participação previstos”, reforça Carlos Rabadão.

Segundo o diploma publicado hoje em Diário da República, a entrada em funcionamento da ULO realiza-se em regime de instalação, durante o qual “são órgãos de governo e de gestão da ULO” o reitor, a comissão instaladora e o conselho de gestão.

O próximo passo será, então, a nomeação, pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, de uma comissão instaladora, à qual caberá conduzir o processo de transição institucional, nomeadamente a aprovação dos novos estatutos, do modelo de organização e dos restantes instrumentos fundamentais ao seu funcionamento.

“O regime de instalação tem início com a entrada em vigor dos estatutos provisórios da ULO e com a tomada de posse dos titulares de todos os órgãos de governo e de gestão”, refere o diploma, segundo o qual “o projecto de estatutos provisórios é apresentado pelo presidente do IPL no prazo de 15 dias” à tutela.