Economia

Ventos da Kristin, Leonardo e Marta levaram 30% do PIB da região de Leiria

14 mar 2026 09:00

Região “subitamente mais pobre

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Prejuízos calculados pela CIMRL chegam aos 2.000 milhões de euros
Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

O impacto directo estimado pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), após as recentes tempestades, no PIB do território é de cerca de 2.000 milhões de euros.

Segundo Paulo Santos, primeiro-secretário desta estrutura regional, a “magnitude do evento” foi tal que “em pouco mais duas horas, na madrugada do dia 28, perdeu-se o equivalente a quase 30% daquilo que é a riqueza regional”.

Presente na apresentação oficial do “Pombal Avalia, Protege e Renasce”, programa concelhio cuja meta é ajudar o território de Pombal a fazer face aos estragos da intempérie, lembrou que o PIB regional está calculado em aproximadamente 7.000 milhões de euros.

Entende, por isso, que, o impacto macro-económico traduz-se numa região “subitamente mais pobre”, o que poderá ter um grande impacto nos orçamentos e nas prioridades de municípios e juntas de freguesia.

O responsável sublinhou que este é um volume de prejuízo que demorará a recuperar, comparando a situação à pandemia da Covid-19, mas com um “impacto financeiro imediato e brutal concentrado na região”.

Paulo Santos adiantou que a CIMRL, para mitigar a asfixia económica, já transferiu quatro milhões de euros, valor correspondente a metade do seu orçamento, para o apoio a empresas, restauração e hotéis.

Aproveitando a presença no evento do coordenador da estrutura de missão criada para apoiar o território, Paulo Fernandes, o primeiro-secretário da CIMRL alertou que, quase mês e meio após as tempestades, ainda há indústrias “completamente no chão” e empresários que ainda não viram “uma luz na resolução dos seus problemas”.

Na fileira agrícola, por exemplo, apontou relatos de vários agricultores que “ponderam abandonar”, por falta de meios e recursos para retomar o trabalho.

A falta de redes de comunicação funcionais também continua a influenciar negativamente a produtividade.

Pelas contas da CIMRL ainda há cerca de 42 mil utilizadores sem rede fixa e milhares sem rede móvel na região.

Paulo Fernandes que defendeu mais cooperação entre municípios, privilegiando sinergias regionais para alcançar um impacto maior, tomou nota das palavras, para, de seguida, revelar que metade do valor solicitado pelas empresas em linhas de apoio tem como origem os concelhos de Leiria, Marinha Grande e Pombal, facto revelador da área geográfica mais atingida.

O coordenador da estrutura de missão reforçou que a prioridade é garantir que o Governo “antecipe dinheiro para as empresas no imediato”, essencial para evitar o encerramento de unidades produtivas.