Opinião
Eleições antecipadas. E agora?
Não se entende como um País como Portugal se dá ao luxo de quase em todos os anos chamar os eleitores a pronunciarem-se
O meu último artigo foi sobre a euforia que se vivia sobre as eleições presidenciais, que só acontecerão em Janeiro do próximo ano, e como se estavam a relativizar as eleições que mais dizem aos eleitores, pela sua proximidade, as eleições autárquicas, que ocorrerão, quase de certeza, no mês de Setembro.
Já para não falar das eleições na Madeira, realizadas há cerca de duas semanas, pelo derrube do Governo, sendo que, mais uma vez, Miguel Albuquerque e o PSD tiveram uma vitória retumbante, ficando apenas um deputado da maioria, garantida pelo acordo com o deputado regional do CDS/PP.
Além disto, para animar ainda mais este ano, sem a maioria dos portugueses perceberem porquê, é o que dizem os estudos de opinião, vamos ter eleições legislativas antecipadas.
Depois de ultrapassar duas moções de censura, do PCP e do CHEGA, o Governo não conseguiu fazer aprovar a sua moção de confiança, tendo como consequência o derrube do Governo e a decisão do Presidente da República em convocar eleições para o próximo dia 18 de Maio.
Neste momento, já todos os leitores estão a par de toda a estória, pelo que não se entende como um País como Portugal se dá ao luxo de quase em todos os anos chamar os eleitores a pronunciarem-se.
E até mesmo o argumento dos governos minoritários não vence, pois o último Governo de António Costa tinha maioria absoluta e também caiu.
O ponto é perceber se toda a polémica que envolveu o primeiro-ministro e a sua vida pessoal e profissional, até hoje sem evidência de qualquer irregularidade ou ilicitude, seria motivo suficiente para nos convocar a todos para mais uma ida às urnas.
Se não seria melhor ter aceite a Comissão Parlamentar de Inquérito com tempo definido, pois seria impensável que esse processo se desenrolasse ao sabor da vontade e interesse politico-partidário de alguns, designadamente do Partido Socialista, condicionando, sobremaneira, o primeiro-ministro e consequentemente a acção do Governo.
Só mesmo quem não quer ver, vá-se lá saber porquê, é que não percebe que era uma situação impensável e que, em primeira instância, prejudicaria o País e os portugueses.
Por estes dias tem sido curioso observar as sondagens, e verificar que afinal os portugueses estavam satisfeitos com o Governo, que apenas completou um ano de actividade esta semana, e parecem querer renovar a sua confiança em Luís Montenegro.
É verdade que não está tudo resolvido e que muito ainda está por fazer, mas mandar parar a acção dum Governo ao final de 11 meses quando o seu mandato é de 4 anos, impede, na minha opinião, muitas das críticas que poderiam ser normais se tivesse tido tempo e não conseguisse executar o seu Programa.
E sobretudo porque as expectativas iniciais estavam largamente ultrapassadas.
E, sobretudo, recordar a opinião de muita gente sobre a falta de preparação de Luís Montenegro para liderar um Governo ou como a maioria relativa, face à representação parlamentar, seria o motivo do seu insucesso, sendo que no limite se apresentava a discussão do Orçamento do Estado para 2025 como a meta limite para a sobrevivência do Governo da AD.
Ora, tudo isso foi ultrapassado, com a introdução e implementação de muitas medidas que têm vindo a melhorar a vida dos portugueses, consolidando a imagem de Luís Montenegro como o mais bem preparado e qualificado para continuar a governar Portugal em contraste com a impreparação e instabilidade de Pedro Nuno Santos.
Espera-se que o dia 18 de Maio confirme, mesmo, a incompreensão dos portugueses por mais esta eleição antecipada.