Sociedade

Jovens reclusos de Leiria vão ter formação digital para melhor reintegração

13 fev 2020 16:50

Ministério da Justiça pretende capacitar presos para o mercado de trabalho

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A ‘prisão-escola’ de Leiria é o piloto deste projeto, que tem como objectivo estender-se a centros educativos e a outros estabelecimento prisionais de adultos
Ricardo Graça

Os reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria Jovens vão ter 35 horas de formação na área digital para adquirirem competências para uma melhor reinserção na sociedade, facilitando o processo de acesso ao mercado de trabalho.

O Projecto Social de Capacitação de Reclusos na Área Digital, que se traduz numa medida Justiça mais Próxima, Academia Recode, resulta de uma parceria entre o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), o Centro Protocolar da Justiça e a Cisco Systems Portugal.

Vão ser criadas duas turmas, que terão o acompanhamento de um formador presencialmente.

O responsável pelas academias da Cisco, Nuno Guarda, explica que a empresa vai disponibilizar gratuitamente dois cursos. Um “mais próximo daquilo que é a literacia digital, que ensina as pessoas sobre o que é a social media ou por que é importante ter um perfil no Linkedin para encontrar trabalho”, que terá a duração de 20 horas.

O outro curso é de introdução à cibersegurança, que pretende “sensibilizar os estudantes para a problemática da cibersegurança, explicando- lhes o que são ameaças e ataques, dando bagagem intelectual sobre o que se deve saber” e tem estimada a duração de 15 horas.

“Capacitar os cidadãos reclusos através da formação profissional é uma obrigação fundamental do Ministério da Justiça. Devemos dar todas as oportunidades aos nossos concidadãos que se encontram privados da liberdade para mudar de vida e de se aproximarem dos padrões normais de vida em sociedade”, diz Mário Belo Morgado, secretário de Estado Adjunto e da Justiça.

O governante acrescenta que “um sistema prisional moderno não pode deixar de ter um foco muito evidente na ressocialização e na prevenção da reincidência”. “Nesta medida, a par do desporto e do trabalho prisional, a formação é absolutamente fundamental.

Numa sociedade dominada pelas novas tecnologias de comunicação, é fundamental dar um salto relativamente ao tipo de formação tradicional e apostar muito claramente em tudo o que tem a ver com o mundo digital. Se a formação dos reclusos for direcionada para estas áreas, a sua inserção no mercado de trabalho será muito mais fácil”, sublinha Mário Belo Morgado.

O director da DGRSP, Rómulo Augusto Mateus, considerou este projecto uma “revolução tranquila, que vai entrando nas cadeias de mansinho”.

“A literatura ensinanos que a prisão vai conduzindo a uma infoexclusão das pessoas que estão presas. Hoje, estar fora do mundo digital é meio caminho andado para se perder uma importante quota parte de emprego, quando se regressa à sociedade”, constata Rómulo Augusto Mateus.

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