Saúde
Nova Associação Leiria Compassiva nasce de projecto comunitário
O projecto fez um caminho na ajuda à “comunidade para ser compassiva e reflectir sobre as questões do fim de vida
A Associação Leiria Compassiva (ALC), apresentada oficialmente na passada quinta-feira, é o resultado da semente lançada pelo projecto Leiria Compassiva – ComPaixão pelos seus! criado em 2023 e que terminou recentemente. O grupo que abraçou a iniciativa, que tem como objectivo principal a promoção de uma comunidade mais compassiva, não quis deixar morrer o trabalho desenvolvido durante três anos.
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A presidente da recém-formada associação sublinha que o projecto fez um caminho na ajuda à “comunidade para ser compassiva e reflectir sobre as questões do fim de vida, proporcionando-lhe ferramentas que ajudam a saber como cuidar e acompanhar as pessoas em fim de vida, agir face à necessidade de ser compassivo e promover o envolvimento compassivo da comunidade”.
“Ajudámos a comunidade a reflectir sobre as questões do fim de vida e a adquirir ferramentas para saber cuidar e acompanhar pessoas em situação de doença, promovendo o envolvimento compassivo de todos”, explica Ana Marta Carvalho.
Segundo a presidente da ALC, “uma comunidade compassiva constrói-se em rede tendo como método a prática da compaixão” e a “capacitação da comunidade na promoção da literacia e do cuidado com respeito e dignidade”. Ao longo do projecto foram promovidos death cafés, workshops e acções de sensibilização sobre testamento vital, estatuto do cuidador informal, direitos dos doentes e protecção social, bem como formação de voluntários nas áreas da ética, comunicação, relação interpessoal e cuidados de apoio.
Reforçar redes de apoio
Ana Marta Carvalho confessa que um dos objectivos que ficou por concretizar continua no seu horizonte: desenvolver projectos nas escolas, sobretudo no 1.º ciclo, onde sejam abordados, através da arte, temas relacionados com a perda e com o luto. “A ideia não é chegar lá e falar sobre morte. É ter uma dinâmica artística e lançar o debate sobre a história que viram, que teria a ver com uma perda. Seria uma forma de sensibilizar, porque as crianças também nos ensinam muito”, destaca.
O plano de actividades ainda não está definido, pois a ALC optou por auscultar a comunidade através de um questionário online, que obteve 210 respostas. Ana Marta Carvalho afirma que os resultados mostram que a “população reconhece a compaixão como valor central da vida colectiva”, mas considera que o individualismo dificulta “ a transformação da compaixão em prática quotidiana”.
O estudo revela ainda que, apesar de existir disponibilidade para falar sobre a morte e o fim de vida, continuam a faltar espaços seguros para esse diálogo, como grupos de apoio ao luto. “O que a comunidade nos pede? Mais democracia, falar mais sobre morte, cuidados colectivos, luto, compaixão, capacitação e preparar os cidadãos para cuidar. Mais conexão, reforçar redes de proximidade e apoio no mundo”, disse a presidente. Para dar resposta, a ALC pretende apostar em programas de formação, literacia da morte, iniciativas comunitárias de apoio ao luto e rede de voluntários compassivos.