Sociedade

Reguengo do Fètal quer classificar carvalho que terá sido salvo por padre

8 mai 2020 12:11

Junta de Freguesia avança com compra de árvore centenária.

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Maria Anabela Silva

Conta-se que terá sido salvo por um padre da freguesia, que pagou para que não fosse cortado para carvão e, dessa história, lhe ficou o nome. Décadas depois desse episódio, que remonta há aos anos 40 do século passado, o 'Carvalho do Padre Zé', localizado na freguesia de Reguengo do Fètal, no concelho da Batalha, volta a estar no centro de um processo para a sua salvaguarda e protecção, agora através da classificação como árvore de interesse público.

Horácio Sousa, presidente da Junta, explica que, quando foi iniciado o processo, o carvalho tinha três proprietários. A Autarquia já adquiriu “duas partes”, faltando uma terceira, que envolve uma emigrante da freguesia radicada nos EUA. “Estamos à espera que seja emitida uma nova procuração, para que possamos terminar o processo”, adianta o autarca.

Quando ficar concluída a aquisição, o objectivo da Junta é promover a classificação do carvalho e a recolha elementos com vista à sua datação. “Dizem-nos que terá centenas de anos, mas queremos apurar esses dados”, acrescenta o autarca, que considera que se trata de uma árvore “digna” de protecção.

De acordo com dados constantes do site https://www.monumentaltrees. com, uma plataforma mundial de registo de árvores, o 'Carvalho do Padre Zé' tinha, em Agosto do ano passado, quando foi feita a última medição, 5,87 metros de perímetro e 20,90 metros de altura.

O registo do exemplar neste portal partiu do Aves da Batalha, um grupo de cidadãos do concelho que promove actividades de sensibilização ambiental. João Tomás, um dos fundadores, frisa que a inscrição nesta base de dados “não confere qualquer tipo de protecção” ao carvalho. “É apenas identificativa”, refere, adiantando que, a determinado momento, o grupo pensou avançar com a classificação do carvalho junto do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, mas, como a Junta “agarrou o processo, entendeu-se que faria mais sentido deixar a autarquia avançar”.

O importante, diz João Tomás, “é que a classificação aconteça, não só para “maior protecção” do exemplar em causa, que ficou de fora da mancha de Rede Natura do concelho, mas também para “a sensibilização da importância do carvalhal”.

Segundo João Tomás, a história que se conta sobre o 'Carvalho do Padre Zé' reza que ao lado deste exemplar havia um outro “ainda maior” que terá sido abatido e convertido em carvão. “Conta-se que o padre [José do Espírito Santo] pagou para que não cortassem também aquele. E assim se terá salvo o carvalho”, relata.

O concelho da Batalha tem apenas uma árvore na lista de arvoredo de interesse público. Trata- -se também de um carvalho-português (Quercus faginea Lambert) existente na localidade de Demó, freguesia de São Mamede. Aquando da sua classificação, no ano 2000, o exemplar tinha 2,84 metros de diâmetro (medidos a 1,30 metro da base) e 18,2 metros de altura, estimando-se que tivesse mais de 200 anos.

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