Opinião

IA: Evolução ou Entorpecimento?

30 jan 2026 16:36

O ser humano é preguiçoso. Por isso inventa sistemas que lhe facilitam a vida e diminuem a quantidade de trabalho

Um relatório da OCDE afirma que a Inteligência Artificial pode conduzir à subida de notas mas não à melhoria da qualidade da aprendizagem. Na verdade os perigos são maiores e mais amplos do que isto: vão contaminar toda uma geração, um futuro e um sistema.

A preocupação é com a “preguiça metacognitiva” e a dependência de tecnologias. Três em cada quatro professores manifesta preocupação com a realização de trabalhos que não são da autoria dos estudantes.

O ser humano é preguiçoso. Por isso inventa sistemas que lhe facilitam a vida e diminuem a quantidade de trabalho. Até aqui tudo bem. Muita da evolução tecnológica que conhecemos começou com esta questão: “Como posso fazer isto mais rápido e com menos esforço?” E assim nasceram algumas das maiores invenções e sistemas que usamos atualmente e facilitam em muito a nossa existência. Mas quando é que evoluímos para o embrutecimento?

Há uns tempos uma amiga confidenciava-me preocupação com um subordinado dela que estava dependente do uso da IA para a realização das tarefas mais simples. Produziu um relatório que seria lido por outras entidades com poder de decisão sobre a vida de outras pessoas. Ao ver aquilo, mais do que rever, teve de refazer todo o conteúdo.

A minha preocupação prende-se com, não só a falta de ética ao usar a IA desta forma, mas com a ausência de pensamento crítico. Uma máquina vê zeros e uns, não as nuances do mundo. Costumo dizer à minha filha que executar qualquer macaco executa, pensar é o trabalho mais difícil! Sem querer ofender de todo os macacos que são animais extraordinários.

Desengane-se o leitor se isto é uma crónica anti tecnologia. Sou a favor do bom uso da tecnologia e contra as pessoas que a usam desta forma descuidada e irresponsável. “Ah mas é um trabalho da escola. Qual é o mal?” O mal está na ausência da aquisição das competências e na falta de pensamento crítico.

Relembro que a IA começou a ser usada como psicoterapeuta pessoal de muitas pessoas e chegou a sugerir a um individuo deprimido que terminasse com a sua própria vida. As máquinas ainda não simulam ética e deontologia profissional e muito menos empatia. O pensamento crítico ensina-se sim. Especialmente em casa quando permitimos que as nossas crianças sejam curiosas e nos questionem. A resposta “porque sim ou porque eu digo” não pode ser válida.

Por último tinha prometido a mim mesma que não falaria de eleições. Mas já que a IA é boa a detetar padrões de comportamento, que tal questionarmos o que aconteceria em Portugal caso tivéssemos uma mudança drástica de regime político? Com pensamento crítico chegaremos à mesma resposta da IA.

Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990