Opinião
PMUS II - Transportes Públicos
Ou seja: eu que vivo perto da estação ferroviária, para ir até à USF dos Marrazes tenho de apanhar 2 autocarros e nunca demoro menos de 45 minutos. De carro faço-a em 5 minutos
Continuemos a falar do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Leiria, que nos promete um transporte público “mais confortável, acessível, eficiente e sustentável, com melhores ligações, maior cobertura (...)”.
Representa, neste momento, cerca de 8% da utilização de transportes em Leiria, face aos cerca de 80% de utilização de carros.
Apesar das melhorias já implementadas, com a aquisição de veículos mais modernos e elétricos para a frota Mobilis, a maioria dos autocarros são bastante velhos, e as paragens são desconfortáveis e sem iluminação nocturna.
Mas os principais problemas dos autocarros no Concelho são: levar demasiado tempo; não ter ligações convenientes; não ter bons percursos entre as localidades periféricas do Concelho, nem horários condizentes com as necessidades reais das pessoas.
Ou seja: eu que vivo perto da estação ferroviária, para ir até à USF dos Marrazes tenho de apanhar 2 autocarros e nunca demoro menos de 45 minutos. De carro faço-a em 5 minutos.
Já se viver em Regueira de Pontes e trabalhar numa fábrica na Zicofa com saída do turno às 2 da manhã, pura e simplesmente não tenho opção.
Aos preços a que estão os carros, os combustíveis e a habitação, a maioria dos trabalhadores a ganhar o salário mínimo não consegue suportar o preço de um carro, e tem de escolher uma casa muito longe da cidade e do local de trabalho.
Teria no autocarro uma boia de salvação muito importante - como aliás já se nota pela duplicação do seu uso nos últimos anos e pelo enorme uso de trotinetes para fazer esses trajetos!
Perante isto, o PMUS é muito pouco ambicioso na projeção que faz de aumentar o uso de 8 para 14% de utilização.
O Plano tem de prever já uma maior e mais confortável oferta, com mais ligações, horários noturnos, e mais ubíqua.
O investimento é grande, mas também aqui, e porque os transportes são um meio de produção de cuja responsabilidade as empresas há muito (erradamente) se livraram, o Município deverá integrar na equação de financiamento o tecido industrial do Concelho, que deve contribuir também com os seus próprios sistemas de transporte para os seus trabalhadores, integrados com os garantidos pelo município.
Há muito a melhorar, e este PMUS não pode perder essa oportunidade.