Opinião

É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão!

29 mai 2026 10:09

Este pacote é o maior ataque aos trabalhadores desde que vivemos em democracia. E já foram muitos, e bem maus!

Depois de algumas semanas de negociações fingidas, o governo de Luís Montenegro lá cumpriu uma promessa, aliás uma ameaça: mandou às urtigas a Concertação Social onde não obteve o apoio incondicional que procurava e levou para o Parlamento o seu infame Pacote Laboral. Que sirva de lição à central sindical que entrou na farsa: não se entra numa negociação cujo único resultado possível é perder. É caso para sacar de uma hipérbole e citar os “amaricanos”: não se negoceia com terroristas.

Este pacote é o maior ataque aos trabalhadores desde que vivemos em democracia. E já foram muitos, e bem maus!

Andamos nós ainda a tentar recuperar os direitos perdidos com o Código do Trabalho de Bagão Felix, e vem agora o Luís e a sua ministra, que quando era académica explicava tão bem porque é que o banco de horas individual é um ultrage, para dar mais um golpe.

Despedimentos a la carte, roubo nas horas extra, desregulação total dos horários de trabalho a bel prazer do patrão, precarização eterna dos jovens que estão hoje a entrar no mundo do trabalho - até negociação individual de perda de salário! O esmagamento do trabalhador é total.

Nesta infindável febre colectiva da sacralização do trabalho (leia-se exploração) no altar da lenga-lenga capitalista, este governo acha que vamos comer e calar. Mas eis a questão: por mais que inundem a opinião pública com comentadores vendidos com a nota de fora, cheios de palavras bonitas como flexibilização, negociação ou modernização, não há um trabalhador que não saiba que a negociação de um banco de horas individual significa trabalhar mais horas sem receber um tostão ou descanso, sequer; que não há um horário flexibilizado que não signifique deixar os putos pendurados na escola; e que “cada onda de modernidade é pau no lombo do povo”, já dizia a saudosa Maria da Conceição Tavares.

É por isso que dia 3 de Junho será o dia em que os trabalhadores ganharão a coragem de perder um dia de trabalho para recuperar a sua vida.

Cada cêntimo que perdermos com a greve, vamos ganhá-lo em futuro. E sim, é agora, enquanto ainda podemos mostrar aos deputados na AR porque é que o pacote é para derrubar!

Que dia 3 se oiça bem alto, em todos os locais de trabalho: NINGUÉM QUIS O PACOTE DO LUÍS!