Sociedade

BE considera “muito urgente” voltar a eleger um deputado pelo distrito

3 abr 2025 16:11

Lista liderada por Fernando Rosas apresenta manifesto pelo distrito, que, entre as prioridades, aponta a resolução dos problemas da saúde e da habitação

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Aos 78 anos, Fernando Rosas regressa à política activa para liderar a lista do BE por Leiria
Ricardo Graça
Maria Anabela Silva

O objectivo está traçado: o Bloco de Esquerda quer voltar a eleger um deputado por Leiria, resultado que não conseguiu alcançar nas duas últimas eleições, com prejuízo para a região, defende Fernando Rosas, fundador do partido que regressa agora à política para encabeçar a lista do partido pelo distrito. 

“A premência de uma resposta firme de esquerda as desafios do presente impõe-nos o esforço de renovar a representação do Bloco também pelo distrito de Leiria”, afirmou o cabeça-de-lista, esta manhã, durante a apresentação da candidatura, considerando “muito urgente” que partido volte a eleger, de novo, um deputado por este circulo eleitoral, para “proveito os cidadãos, as mulheres e os homens” deste território, que “têm ainda tantos problemas por resolver”. 

Elogiando a actividade de Heitor de Sousa e de Ricardo Vicente, antigos deputados do BE por Leiria, que “defenderam muito activamente” os interesses da região em áreas como os transportes, a mobilidade e o ambiente, Fernando Rosas diz que a “ausência de deputados do Bloco pelo distrito terá contribuído” para que alguns dos problema não se tenham resolvido. 

A saúde é um desses casos, disse o cabeça-de-lista, que lamenta que, tal como no País, também no distrito as verbas que deviam ser canalizadas para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) estejam a servir para “financiar o negócio privado” neste sector.

“A saúde é um problema do País que no distrito assume uma dimensão de maior preocupação e emergência”, aponta Rafael Henriques, médico de família que ocupa o segundo lugar da lista, lembrando que no distrito “quase 30% da população não tem médico de família”, ou seja “uma em cada três pessoas não tem acesso a uma equipa de saúde familiar, o que é inaceitável”, número que "quase o dobro da média nacional".

Entre as propostas do BE para o distrito na área da saúde está a ampliação do hospital de Leiria, que se encontra a “rebentar pelas suas finas costuras”, a construção no Bombarral do novo hospital do Oeste com as estruturas hospitalares actuais a assegurarem “respostas de proximidade”, como cuidados continuados, tratamentos de reabilitação e hospital de dia, e a manutenção do SPA de 24 horas na Marinha Grande. 

Além da saúde, a habitação é outra das prioridade do BE, que defende a fixação de tectos máximos nas rendas das casas e a a aposta na reabilitação de edifícios devolutos, nomeadamente em Leiria que, segundo os últimos Censos, “estava no top 10 dos concelhos com maior número” de imóveis a necessitar de reparação. 

A criação de uma empresa intermunicipal de serviço rodoviário, a concretização “o mais rápido possível” da requalificação e electrificação integral da Linha do Oeste, e o “reforço” do Politécnico de Leiria e a sua capacitação para transformação em universidade são outras das propostas para do BE, vertidas no seu manifesto para o distrito.

Na apresentação da candidatura, Fernando Rosas destacou ainda as características da lista do BE pelo distrito, que “junta a experiência da veterania e combatividade e a inovação da juventude”, que reúne “praticamente todas as forças vivas do trabalho do distrito” e que tem representatividade concelhia. 

O actual contexto internacional não passou ao lado da intervenção do candidato, que criticou “a corrida belicista que está aberta na Europa e que, inexoravelmente, vai feita à custa dos salários das pensões e dos rendimentos do trabalho”.

“Centrar a recuperação económica da Europa na indústria de armamento e defesa é uma forma de desvio de fundos das políticas de inclusão para a as políticas de guerra”, advertiu o historiador, frisando que é preciso alterar as pessoas para a corrida beliscita”, porque “a corrida ao armamento é a corrida para guerra”.