Economia
Cabaz alimentar alcança um dos preços mais elevados em quatro anos
Preço do cabaz alimentar aumentou mais de 18 euros desde o início do ano
O preço do cabaz alimentar, monitorizado pela Deco Proteste, aumentou mais de 18 euros desde o início do ano. Embora tenha registado uma ligeira descida de 1,48 euros na última semana, custa agora 260,41 euros, um dos preços mais elevados dos últimos quatro anos, salienta a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.
“Desde o início do ano, esta cesta de bens essenciais já viu o seu preço subir 18,58 euros (mais 7,68%). Há cerca de quatro anos, a 5 de Janeiro de 2022, para comprar exactamente os mesmos produtos, os consumidores gastavam menos 72,71 euros (menos 38,74%).”
Desde a primeira semana do ano, o peixe e a carne estão entre as categorias de produto que mais encareceram, com subidas percentuais de preço de 13,21% e 6,78%, respectivamente.
João Paulo Delgado, presidente da Mútua dos Pescadores, contextualiza a subida de preços. “Tem a ver com o choque petrolífero, que tem reflexo na inflacção generalizada. Os pequenos comerciantes têm de reflectir isso no preço que praticam para sobreviver. E as grandes superfícies aproveitam estas situações de crises cíclicas para aumentar ainda mais o seu lucro, além daquele que em situações normais já acontece.”
Por outro lado, “o pescador também se depara com o aumento do preço do gasóleo, mas não tem forma de controlar o preço do pescado logo à partida, porque é comprado em leilão”, observa João Paulo Delgado.
Presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, David Neves explica que não tem sido este o sector responsável pelo encarecimento do cabaz alimentar. “Se compararmos os preços homólogos, praticados no ano passado, até desceram”, verifica o dirigente.
“Desde Novembro do ano passado, até estamos a perder dinheiro e a vender abaixo do custo de produção”, relata David Neves, que aponta duas justificações. Em primeiro lugar devido às tarifas aplicadas pela China à importação de carne de porco da Europa. Depois, o problema agravou-se com o foco de peste suína-africana, em Espanha, com as trocas comerciais a fechar-se entre Portugal e aquele mercado. Por isso, a haver aumento de preços na carne de porco, as margens de lucro não ficaram na produção, mas na comercialização, a jusante, admite o presidente da Federação.