DEPRESSÃO KRISTIN
Encontrou um animal perdido nestas semanas? Há uma página que ajuda a devolvê-lo ao dono
Página "Perdidos Tempestade Leiria", na rede social Instagram, procura reunir os animais perdidos com os seus respectivos donos
Na primeira noite após a tempestade Kristin, Catarina Duarte não quis acreditar quando viu um cão desorientado junto ao rio a vir em direcção à sua casa, em Monte Real.
Percebeu de imediato que as consequências da intempérie não estavam apenas nas casas, nas infra-estruturas ou nos postes de electricidade – estavam também nas dezenas de animais perdidos, assustados com o temporal da madrugada do dia 28 de Janeiro.
Catarina Duarte acolheu este animal até encontrar os donos. “Lá encontrei a senhora, tentei entrar em contacto e consegui falar com ela. Disse que tínhamos o cão dela protegido, ela foi lá buscá-lo e percebi a necessidade.”
Este foi o ponto de partida para a criação da página “Perdidos Tempestade Leiria”, na rede social Instagram, uma plataforma que divulga os animais encontrados e procurados nos dias seguintes à tempestade.
“Tinha de haver um único sítio para centralizar todos estes pedidos e haver um match de pessoas que encontravam e perdiam os animais de forma muito rápida”, detalha.
Catarina Duarte já conseguiu reunir mais de 20 animais com as suas famílias e adianta que recebem pedidos “a toda a hora”, uma vez que há pessoas que só agora se conseguiram ligar à rede e conseguem, finalmente, avisar que acolheram ou perderam as suas mascotes.
“Tivemos o caso feliz de uma gatinha que se tinha perdido e foi através do contacto de uma jovem que regressou aos donos mais idosos”, conta.
Apaixonada por animais – tem sete gatos, todos resgatados, e ainda um cão – apela a que qualquer pessoa do distrito que tenha perdido ou encontrado algum animal de companhia, que envie a informação para a página, com a identificação, localização e, se possível, uma fotografia, essenciais para encontrar o dono
Catarina Duarte também viu alguns dos seus pertences com danos – o seu carro “ficou todo estragado por trás” e voaram telhas da sua casa. Ainda assim, conseguiu tirar do seu tempo para apoiar a causa animal.
“É nestas alturas que não nos podemos concentrar nos nossos estragos, olhar à nossa volta e perceber que há quem esteja pior que nós”, relata, dando o exemplo que, em vários casos, são muitas vezes os animais a companhia de quem vive isolado.
A responsável desta iniciativa apela a que cada pessoa faça o que conseguir para ajudar, seja na limpeza da sua rua, seja na promoção destes reencontros. “São atitudes que estão ao alcance de toda a gente”, afirma.
Stresse pode ser prevenido
O veterinário Miguel Coutinho explica que, nestas últimas semanas, têm aparecido mais animais errantes, tendo visto já casos onde acabam por ser atropelados e precisam de assistência médica.
Não acontece a todos, mas há animais de estimação que também se assustam com as tempestades, barulhos ensurdecedores ou até pelo ecoar do vento dentro das casas, razão pela qual ficam nervosos e alguns têm tendência para fugir de casa.
O especialista na Clínica Veterinária dos Milagres, em Leiria, lembra que há formas de prevenir estas situações, para que os animais não se tornem também uma preocupação após episódios extremos de mau tempo. “Devemos acolher os animais que estão na rua, confortá-los o máximo possível. É uma dupla terapia, para eles e para nós”, considera.
Para aqueles que são mais nervosos, têm problemas cardíacos ou historial epiléptico, Miguel Coutinho refere que o animal pode ser medicado com tranquilizantes, método que evita possíveis fugas ou momentos de stresse elevado.
“Fez domingo oito dias que fui buscar uma cadela atropelada em frente à Base Aérea n.º5, estava numa matilha de quatro cães da mesma dona, que estava extremamente preocupada. Não tinha sido culpa de quem atropelou, porque não se via nada na estrada, e também não foi culpa da dona”, exemplifica, sendo este apenas um dos casos que chegou à clínica nos Milagres, que também acolheu alguns dos animais do Canil Municipal de Leiria, igualmente com estragos provocados pelo mau tempo.
“O melhor conselho que tenho para dar é mesmo que as pessoas recolham os animais, mantenham-nos num ambiente mais acolhedor e calmo, se possível, com alguma música que abafe o som das tempestades e consigam, através de festas e afecto, acalmar-se uns aos outros”.