Economia
Espaços Empresa: Simplificam a burocracia e facilitam a criação de empresas
Licenciamento de actividades económicas, taxas municipais de operações urbanísticas, criação de empresas ou outros processos relacionados com o ciclo de vida de uma organização podem parecer difíceis, contudo, os Espaços Empresa assumem um papel de mediador no apoio ao empresário para que as burocracias sejam ultrapassadas com maior facilidade
Para quem tem um espírito empreendedor e chegou ao momento da criação da própria empresa, todo o processo de formalização pode tornar-se confuso, dada a quantidade de documentos solicitados e os detalhes aos quais é necessário tomar atenção.
Este e outros processos relacionados com a burocracia das empresas não têm de ser feitos de forma isolada e é nesse sentido que foi criado o Espaço Empresa, serviço destinado ao apoio aos empresários na criação e gestão do seu negócio, com uma função de mediador entre o empresário e as entidades públicas.
A iniciativa é liderada pelo IAPMEI, em articulação com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Agência para a Modernização Administrativa (AMA) e, além de dispor de atendimentos presenciais nos balcões existentes, também tem atendimento electrónico e telefónico.
No distrito de Leiria, há vários locais onde pode consultar estes serviços: Leiria, Ansião, Porto de Mós e a região Oeste, através da CIM. E foi mesmo no Oeste onde se deu o pontapé de arranque desta iniciativa, iniciada a 9 de Abril de 2018, com a assinatura de protocolos entre mais de 20 municípios aderentes a nível nacional.
Segundo Pedro Dias, da OesteCIM, estes locais “funcionam como um espaço do cidadão, mas para os empreendedores e empresas”. Entre os serviços prestados está o apoio à criação de empresas, ao licenciamento de actividades económicas, ao registo de infra-estruturas e de actividades no âmbito do turismo, mas também à obtenção e utilização de dísticos no exercício das actividades económicas.
Os técnicos ainda prestam informação sobre localização da rede de infra-estruturas e acolhimento empresarial bem como acessibilidades, além de informarem sobre os incentivos disponíveis ao investimento, a criação de emprego e centros de competência e transferência de conhecimento que possam apoiar a empresa em causa.
É, portanto, um elo de ligação entre as várias entidades que têm de ser contactadas pelas empresas, facilitando também o encaminhamento para os interlocutores dos municípios.
Pedro Dias refere que, quanto aos fundos comunitários, por exemplo, dos quais as empresas podem beneficiar, o Espaço Empresa não pode fazer a consultoria, no entanto, pode “dizer o que existe”. “Os avisos estão sempre a surgir, são muitos, e cada um tem a sua especificidade”, detalha.
O chefe de equipa da divisão de desenvolvimento económico e turístico da OesteCIM explica também que este apoio estende-se, até, ao auxílio na exportação para fora da Europa. “Para empresas que precisam de apoio para a exportação fora da Europa, ou até marcas e patentes, estamos em condições de ajudar e de dar apoio mediado.”
O responsável explica que facilita fazer a marcação do atendimento presencial por via online. “No nosso site, a pessoa pode agendar e diz logo em qual é a questão que pretende pedir apoio. Sendo um mundo com alguma complexidade, ajuda-nos a preparar tudo para o atendimento.”
No Espaço Empresa da OesteCIM, são realizados, em média, 350 atendimentos por ano, número que atesta a importância deste serviço, capaz de atrair investimento e dar melhores condições para a economia florescer.
Mais de dois mil atendimentos
Em Leiria, o Espaço Empresa funciona no Mercado Municipal. Segundo explica Gonçalo Lopes, presidente desta autarquia, “ao oferecer um ponto de contacto único e eficiente entre empresas, empreendedores e entidades públicas, o Espaço Empresa reforça a confiança dos investidores e melhora a percepção da qualidade dos serviços prestados pelo município”, acreditando que o serviço “desempenha um papel estratégico na promoção de um ambiente favorável ao investimento”.
Na cidade do Lis, o Espaço Empresa foi inaugurado em 2020 e, inicialmente, funcionou no edifício da Nerlei. Desde a sua abertura, realizou cerca de dois mil atendimentos. “Acreditamos que o Espaço Empresa contribui de forma particularmente eficaz para o apoio e esclarecimento dos empresários que nos procuram. Asseguramos um serviço de mediação nas plataformas públicas, facilitando o acesso à informação, agilizando procedimentos administrativos e garantindo um acompanhamento personalizado em matérias essenciais à actividade empresarial. Este apoio especializado permite reduzir a burocracia, acelerar processos e proporcionar maior segurança na tomada de decisões, factores determinantes para quem pretende investir ou expandir o seu negócio”, reforça o autarca.
Apoio em Porto de Mós e Ansião
Porto de Mós também tem um balcão de atendimento para empresas onde, segundo explica a responsável Patrícia Ferreira, chegam mais “empresários em nome individual ou pequenas empresas”.
O apoio tem sido, essencialmente, “a empresas já existentes” e a “pequenos empresários” e, por isso, considera que a iniciativa adquire “menos visibilidade”.
Este município fez parte do projecto piloto da iniciativa, em 2017, no entanto, a responsável refere que “não se notou o aumento de investimento”, apesar do concelho continuar a destacar-se pela sua pujança empresarial.
Em Ansião, o município pretende, em breve, mudar o balcão, que funciona desde Abril de 2018, para a Loja do Cidadão. O Espaço Empresa está integrado no Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo e também dá apoio na consulta de certificado de admissibilidade, consultado do dossier electrónico da empresa, licenciamento industrial e chave móvel digital, entre muitos outros.
“Actualmente, o Espaço Empresa encontra-se em processo de reestruturação de forma a garantir uma resposta ainda mais abrangente a todas as empresas que pretendem investir neste território”, menciona a autarquia.
Esta alteração responde à vontade do executivo de reformular “toda a dinâmica atracção, suporte e acompanhamento empresarial”, onde se inclui o “desbloqueamento da expansão do Parque Empresarial do Camporês”, considerada uma das “necessidades mais prementes” na economia do concelho.