DEPRESSÃO KRISTIN

Protesto na Carreira devido à falta de energia condiciona trânsito na EN109

13 fev 2026 10:57

Freguesia do concelho de Leiria está há 17 dias "às escuras", sem electricidade e sem informação sobre quando será normalizada a situação. A circulação na via já se encontra normalizada

Maria Anabela Silva

“Há 17 dias que estamos às escuras. Estamos cansados”. O desabafo é de Nélio Rolo, um dos moradores da Carreira, freguesia do concelho de Leiria, que esta manhã participaram numa acção de protesto que condicionou a circulação automóvel na EN109.

Por volta das 8 horas, cerca de duas dezenas de residentes começaram a atravessar ininterruptamente a passadeira para peões que atravessa a estrada nacional, obrigando à paragem do trânsito, durante cerca de 20 minutos, até à chegada da GNR. A circulação foi depois retomada de forma condicionada, com os elementos da guarda a deixarem passar alternadamente veículos e pões.

Na origem do protesto está “o cansaço da população” pela demora na reposição do fornecimento de energia na freguesia. Segundo o presidente da Junta, Mário Carvalho, só algumas casas junto à escola EB2,3 e Secundária Rainha Santa Isabel têm electricidade, servidas pelo gerador que está a abastecer o estabelecimento de ensino e o pavilhão, que serve de ponto de apoio à população.

“Há ainda um pequeno núcleo, na Carreira de Baixo, que tem luz, porque é abastecido através de uma linha de Monte Real”, adianta o autarca, que passou, esta manhã, no local do protesto, sem se juntar aos manifestantes. “Estamos do lado das pessoas. Estamos a quer luz e, ao mesmo tempo, a condicionar as pessoas para repor essa luz. É uma contradição, mas percebo a reação das pessoas. É o resultado de um sentimento de cansaço. Um, dois ou três dias sem luz, aceita-se. Dezassete dias é muito complicado”, disse o autarca, em declarações ao JORNAL DE LEIRIA.

Reconhecendo os incómodos provocados pela acção, Nélio Rolo alega que a mesma é fruto “desespero da população que está há 17 dias sem luz”. O morador frisa que, mesmo para quem tem gerador, a situação está a tornar-se incomportável, devido aos custo do combustível para os alimentar. “Estamos no início do mês. As pessoas ainda têm algumas posses de ir comprar. Mas, com o avançar do mês, o dinheiro vai escasseando, porque são 30 a 40 euros de combustível de dois em dois dias. É um ordenado ao fim do mês”, frisa o Nélio Rolo, sublinando ainda que “há muita gente na freguesia que que não tem geradores e que está há 17 dias às escuras”.

Também a “falta de informação” é motivo de descontentamento entre a população, que “não faz ideia” de quanto tempo demorará até que a situação seja ultrapassada. “Estamos completamente às escuras. As entidades responsáveis, nomeadamente a E-Redes, não dizem nada. Temos questionado o presidente de junta e ele diz que também continua às escuras, que não obtém respostas de lado nenhum”, lamenta Nélio Rolo, que defende a colocação de mais geradores, para minimizar os impactos até a reposição da rede. “É uma questão de falta de geradores e de vontade de alguém que os queira trazer”, critica, apontado responsabilidades à E-Redes

“É uma tristeza”, desabafa Rui Pedrosa, que está “há 15 dias com a cave inundada”, porque não consegue bombear a água. Apesar de ter um gerador, para assegurar o básico da casa, este não tem capacidade para tirar a água, porque “só dá para pôr uma bomba pequena a trabalhar”. “Precisava de funcionar dia e noite, mas não posso ter o gerador sempre a trabalhar”, alega o morador, que vive junto à linha de comboio, numa zona baixa da freguesia. “Consegui tirar algumas coisas da cave. As outras, estão debaixo de água.”