Sociedade

Alterações no projecto para construção de Centro de Negócios de Leiria aumenta custo de obra em 73%

21 abr 2020 16:20

No Centro de Negócios de Leiria, a grande alteração passa pela melhoria das instalações em termos técnicos, tecnológicos e de segurança do edifício, que se torna “moderno e inteligente”.

As alterações que foram realizadas ao projecto inicial para a construção do Centro de Negócios de Leiria no Topo Norte do estádio municipal aumentaram o custo de obra em 73%, passando de 7,5 para cerca de 13 milhões de euros.

O Município de Leiria aprovou na reunião de hoje uma alteração ao projecto-base para transformação do Topo Norte num Centro de Negócios, que passou a ter uma estimativa de custos de 12.997.860 milhões de euros, um acréscimo de cerca de 5,5 milhões de euros face ao projecto inicial.

Segundo uma nota da Câmara, o aumento justifica-se “pelas melhorias introduzidas, de forma a tornar este espaço atractivo ao investimento na área das novas tecnologias, espaço que passará ainda a acolher um Centro Associativo e de Artes”.

De acordo com um documento sobre o projeto, as alterações resultam da participação de um conjunto de entidades externas, como o Politécnico de Leiria, Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria e o grupo TICE.Leiria e diversas entidades associativas, quer da área da cultura quer da área do desporto, “tendo os contributos apresentados enriquecido o projecto”.

Segundo a autarquia, no que diz respeito ao Centro de Negócios de Leiria, a grande alteração passa pela melhoria das instalações em termos técnicos, tecnológicos e de segurança do edifício, que se torna “moderno e inteligente”.

Será feita a instalação de um piso técnico essencial para permitir a instalação de empresas de matriz tecnológica, destacando-se ainda uma alteração na fachada interior do estádio, de forma a permitir a visualização do relvado e a criação de uma zona de lazer.

O projecto base para o Topo Norte, em que foi necessário efectuar um reforço das medidas de segurança, contempla ainda um Centro Associativo e de Artes para acolher todo o tipo de associações e actividades culturais, com pisos destinados para a prática de Dança, para a Música e para a prática de Artes Performativas e Artes Plásticas.

Quanto à Torre Nascente, após um longo processo negocial com vista à alienação deste espaço à Autoridade Tributária, esta instituição acabou por recuar, passando a pretender o arrendamento do mesmo, mas numa área inferior à inicialmente negociada, informa ainda a nota de imprensa.

Este investimento, adianta o Município liderado por Gonçalo Lopes, será, a médio prazo, “fundamental para produzir investimento na produtividade e na inovação, sendo fundamental para o período pós-Covid-19, em que são necessários novos rumos estratégicos para a economia de Leiria”.

Numa nota, os vereadores do PSD revelam que se abstiveram na votação do projeto, criticando o aumento que consideram um “valor obsceno”.

“Não foi feito um estudo económico de suporte a futuras utilizações, nem definido qualquer tipo de gestão/exploração (fundamentação utilizada para a suspensão do Pavilhão Multiusos), não se sabem quantas e quais o tipo de empresas que irão ocupar este espaço” e o “valor de metro quadrado cifra-se nos 490 euros/m2 (aumento de 60% face ao inicial)”, criticam os sociais-democratas.

Para os vereadores da oposição, dificilmente esta obra custará menos de 15 milhões de euros, “com custos de manutenção colossais”. Considerando que o projeto merece discussão pública, os sociais-democratas alertam que o projecto “será inteiramente suportado pelos cofres da câmara”. “Face à situação de emergência que se vive atualmente em todo o país, consideramos que, nesta altura, existem outras prioridades para os leirienses, nomeadamente na consolidação da coesão social”, destacam.

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