Sociedade
“Não conseguiremos fazer mais nada nos próximos 20 anos”
A ausência de comunicações móveis e fibra, que continua a ser um problema em vários municípios da região de Leiria, e a criação de um fundo regional de 100 milhões de euros foram alguns dos destaques na conferência Renascer a Região de Leiria - Os desafios do PTRR para a Região.
A ausência de comunicações móveis e fibra, que continua a ser um problema em vários municípios da região de Leiria, e a criação de um fundo regional de 100 milhões de euros foram alguns dos destaques na conferência Renascer a Região de Leiria - Os desafios do PTRR para a Região.
O presidente da Câmara de Pombal, Pedro Pimpão, aproveitou a realização do evento no Teatro-cine da cidade para recordar a urgência em limpar as vias florestais e que ainda existe um apagão de telecomunicações que atinge, só no seu concelho, três mil clientes.
Na conferência promovida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) em colaboração com o JORNAL DE LEIRIA, o autarca destacou ainda que as edilidades da CIMRL estão a usar fundos próprios destinados a outras áreas para responder à emergência.
E, nos “municípios de baixa densidade”, as perspectivas não são boas.
É o caso de Figueiró dos Vinhos, cujo presidente de câmara Carlos Lopes, deu conta de que o orçamento anual é de cerca de 18 milhões de euros e, até agora, já calculou 12 milhões de prejuízos.
“Não conseguiremos fazer mais nada nos próximos 20 anos”, vaticinou, reclamando que “não pode haver tratamento igual para situações desiguais”.
Tal como Pedro Pimpão, também António Henriques, presidente da Câmara de Castanheira de Pera, alertou para o perigo iminente da floresta caída e da carga de combustível disponível antes do período crítico de incêndios e defendeu que o território não pode continuar a repetir discussões, sem medidas concretas no terreno, quando ocorre uma catástrofe”.
A braços com a destruição de uma das mais importantes vias de comunicação de Pedrógão Grande, o autarca João Marques, apelou a “mudanças urgentes na contratação pública”, para eliminar a burocracia que impede as obras.
Entre as medidas, defendeu a desconcentração de serviços do Estado.
“A descentralização não pode ser só tornar os municípios em empregados domésticos do poder central”, acusou. Presente esteve também Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Região Centro, que lembrou que as medidas de apoio à manutenção dos postos de trabalho, partilhadas pela Segurança Social e pelo IEFP, atingiram o valor de mais de 300 milhões de euros.
Admitiu, não obstante, que o mercado de construção civil está “sobreaquecido”, podendo demorar até 18 meses para responder às necessidades.
A representar a academia, Carlos Rabadão, presidente do Politécnico de Leiria, referiu seis milhões de euros em danos nas instalações do instituto e lembrou que a transformação da instituição em Universidade de Leiria e Oeste será um “elemento distintivo” para a competitividade e crescimento.
Como exemplo, anunciou uma nova pós-graduação em Protecção Civil e Reacção a Catástrofes. Dinheiro tarda a chegar às empresas Apesar de “não haver encerramentos ou despedimentos em massa”, as empresas sentem-se a sufocar, sem as ajudas estatais prometidas e sem o pagamento de verbas de seguros.
Lino Ferreira, presidente da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria (Acilis) foi sintético: o dinheiro tarda a chegar às empresas.
“A banca está a ser um bocadinho inteligente. Quando esteve numa parte mais difícil, fomos nós que pagámos... mas não olham para as empresas da mesma forma.”
Por seu turno, pragmático, Luís Febra, presidente da Associação Empresarial da Região de Leiria – Câmara de Comércio e Indústria (Nerlei CCI), deu um passo em frente e propôs a criação de um fundo regional de 100 milhões de euros para capitalizar as empresas através do Banco Português de Fomento, permitindo alavancar a inovação, contornando bloqueios de acesso ao crédito.
Ricardo Carvalho, deputado do PSD, afirmou que o Governo tem ajustado as respostas e que o PTRR permitirá resiliência e transformação, lembrando que o investimento para enterrar redes de energia e de comunicações é cerca de 15 vezes mais caro, exigindo “critérios de prioridade”.
Luís Paulo Fernandes, deputado do Chega, alertou para o risco de “fragilidade territorial” e sugeriu a isenção de portagens na A8 e A19. Já a deputada socialista Catarina Louro, criticou a gestão de expectativas do Executivo e sublinhou que a promessa do primeiro-ministro de dinheiro na conta, em poucos dias, falhou.