Sociedade

"O tempo [de Leiria] como anão político terminou", diz Gonçalo Lopes

22 mai 2026 12:33

Tempestade Kristin marcou as celebrações do Dia do Município, que se assinala esta sexta-feira, com homenagens a todos os que contribuíram para a resposta pós-temporal

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Maria Anabela Silva

"O tempo do anão político terminou". A afirmação é de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara, no discurso que proferiu, esta manhã,na sessão solene do Dia do Município, que se assinala esta sexta-feira, marcada pela homenagem àqueles que contribuíram para a resposta à tempestade Kristin e à forma como a comunidade reagiu e como se levantou neste momento difícil.

No seu discurso, Gonçalo Lopes refez uma frase proferida há anos por Feliciano Barreiras Duarte, ex-deputado do PSD, segunda a qual "Leiria é um gigante económico e um anão político", para garantir esse tempo acabou. "Leiria tem voz. Leiria não se cala. Leiria não se verga", declarou o autarca, sublinhando, no entanto, que "essa voz tem de continuar", "não por orgulho" ou "confronto", mas porque "Leiria contribui muito para o país", "cria riqueza, trabalha, exporta, inova e merece respeito".

Defendendo que "o respeito também se mede na forma como o País responde quando um território é atingido com esta dimensão", o presidente da Câmara diz que Leiria "precisa de uma resposta proporcional e justa". Proporcional "ao impacto da tempestade", "à dimensão dos danos" e "ao esforço que já foi feito" e que seja "justa para as famílias, para as empresas, para as associações, para as freguesias, para as instituições e para todos aqueles que continuam a reconstruir o que perderam".

Leiria "exige justiça"

"Leiria não pede privilégios. Leiria exige justiça. Não pedimos mais do que aquilo que nos é devido. Mas também não aceitaremos menos do que aquilo que é justo", reforçou Gonçalo Lopes, lembrando o muito que já foi feito, mas também o muito que "ainda há a fazer".

Para o autarca, é preciso preparar o futuro, fazendo de Leiria "um território de referência na resposta aos desafios climáticos, na protecção civil, na prevenção, na gestão da floresta, na inovação e na forma como planeia, decide e executa".

"Temos de transformar este problema num impulso de desenvolvimento", reforçou Gonçalo Lopes, defendendo a criação de "um verdadeiro ecossistema de futuro", em torno da resiliência, da transição climática e da inovação e envolvendo não só o Município, mas também as freguesias, as empresas, o Politécnico, os bombeiros, as associações, os centros de conhecimento e os cidadãos.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara assinalou também a importância do poder local que está a assinalar 50 anos e que deu provas na resposta à tempestade, estando "onde tinha de estar: na linha da frente", revelando "capacidade de resposta, de conhecimento do território e de confiança democrática".

"Se a tempestade nos ensinou alguma coisa, foi também isto: um País mais coeso precisa de confiar mais nas suas autarquias", apontou Gonçalo Lopes, que reclamou mais recursos para as autarquias, que, no seu entender, não podem ser encaradas como "tarefeiras".

Também o presidente da Assembleia Municipal, Acácio Sousa, fez a apologia da importância do poder local e defendeu o seu reforço, nomeadamente, no âmbito da reforma da Lei das Autarquias Locais, que considera necessária.

Já Nuno Serrano, vereador do PSD, enalteceu a afirmação de Leiria como "motor incontornável de desenvolvimento regional", mas lembrou que "celebrar o Dia do Município não é apenas aplaudir o que está bem, mas também olhar para os desafios que se impõem".

Para o social-democrata, Leiria precisa, por exemplo, de uma resposta "mais forte" na área da mobilidade urbana e regional, e criar condições para que os jovens se possam fixar, com "mais habitação e empregos qualificados", mas também de se preparar para fenómenos extremos, como a recentes tempestades, nas quais "Leiria deu provas da sua resiliência". Mas, "honrar a resiliência é também transformar desafios em realidade", frisou Nuno Serrano, considerando que Leiria precisa de ser "mais sustentável, mais acessível e mais inclusiva".

Enaltecendo também a forma como a população reagiu às dificuldade, o vereador do Chega deixou críticas à acção da maioria socialista, nomeadamente, pelos atrasos e derrapagens nas obras públicas. Luís Paulo Fernandes fez também reparos à "falta de apoio" dos deputados eleitos pelo distrito às propostas que tem apresentado na Assembleia da República em prol da região, nomeadamente, para a isenção total de portagens na A19 e no troço da A8 entre Marinha Grande e Pousos.