Editorial

Estamos aqui!

4 jun 2020 19:21

É provável que o advento da Covid-19 leve cada vez mais pessoas a fugir dos grandes aglomerados urbanos de Lisboa e do Porto

Muito se tem dito sobre as mudanças que a pandemia trouxe e as transformações que deixará para o futuro, parecendo certo que o que agora estamos a viver marcará indelevelmente os próximos tempos, desde a organização no trabalho, às formas de sociabilização, passando pela mobilidade, pela relação com o digital ou mesmo pelas opções de estilo de vida.

Actualmente e no futuro mais próximo, salvo raras excepções, os impactos do vírus que a China deu a conhecer são na generalidade negativos, tendo espalhado o medo, levado milhares de pessoas à morte e paralisado a economia, além dos constrangimentos que levou a milhões e milhões de pessoas, que ficaram um pouco com as vidas suspensas.

No entanto, quem olhar por cima dos muros que nos parecem prender e conseguir perceber a mudança de tendências que esta experiência possa trazer, terá condições para antecipar estratégias e posicionar-se debaixo da árvore com a fruta mais saborosa.

Será assim na indústria, no comércio, e no turismo.

Igualmente na saúde e na investigação.

Mas também, certamente, na organização dos territórios e na mobilidade geográfica, aspecto que pode trazer grandes benefícios à região de Leiria, não apenas aos concelhos com mais dinâmica empresarial, localizados no litoral, mas também aos menos densamente povoados do interior.

Ou seja, é provável que o advento da Covid-19 leve cada vez mais pessoas a fugir dos grandes aglomerados urbanos de Lisboa e do Porto, onde a maioria vive nos subúrbios com uma qualidade de vida duvidosa e sujeita a grandes concentrações de pessoas, nomeadamente nos transportes públicos.

Cruzando essa vontade com a possibilidade de trabalhar à distância que o teletrabalho trouxe a muitas profissões, mas também com o menor custo de vida observado fora de Lisboa e do Porto, parecem estar reunidas as condições para os territórios menos densamente povoados aumentarem a sua população, como refere Maria Guarino em entrevista publicada nesta edição.

A oportunidade surgirá, havendo agora que perceber o que farão os concelhos da região de Leiria para conquistar essas pessoas, pois se algumas decidirão pela afinidade que têm com este território, a maioria, que não a tem, optará pelo que lhe oferecer melhores condições, percepção que poderá, tão só, passar pela forma como se comunica.

Do ponto de vista da centralidade, da qualidade dos serviços, da dinâmica económico-social e do equilíbrio entre a natureza e o urbanismo, poucas regiões terão tantos argumentos como a nossa, mas, como em tudo, quem não aparece é esquecido, pelo que será arriscado ficar à espera que nos escolham.

Há que pôr o dedo bem no ar e dizer: estamos aqui!

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