Editorial

Não podemos dar passos em falso

15 mai 2020 10:38

Será um período onde o medo e a vontade de recuperar a vida do pré-Covid se confrontarão no interior de cada um.

O regresso à normalidade possível será uma fase cheia de adaptações e que obrigará a muita paciência e bom-senso, muito diferente da vida da antiga normalidade.

Será um período onde o medo e a vontade de recuperar a vida do pré-Covid se confrontarão no interior de cada um, de onde se espera que emane, principalmente, responsabilidade, o factor-chave para não darmos passos em falso.

É esse sentimento que se percebe, por exemplo, nos empresários da restauração e do pronto-a-vestir com quem o Jornal de Leiria falou nesta edição, que entre a alegria pela reabertura dos seus negócios, a pressão para facturarem, a apreensão pela quantidade de restrições e algum receio da doença, acabam por colocar o foco na responsabilidade que todos terão que ter para que a confiança possa conquistar terreno, sem deitar por terra o esforço dos últimos dois meses.

Serão tempos difíceis para quem tem negócios abertos ao público, com exigências muito maiores que no passado e, muito provavelmente, receitas mais baixas, podendo surgir a tentação de facilitar aqui e ali, seja para se conseguir atender mais alguns clientes, seja para aliviar a logística inerente às medidas de segurança estipuladas.

Há o risco de isso acontecer, pois o passar do tempo e a necessidade são inimigos do rigor, havendo ainda que contar com diferentes formas de comportamento por parte dos clientes, pois, como é sabido, há sempre quem goste de contornar as restrições.

Ou seja, o grande desafio do chamado regresso à normalidade será a capacidade de todos nós conseguirmos manter os níveis de rigor e de responsabilidade que possibilitaram que, até ao momento, o drama da pandemia, apesar das mais de mil mortes a lamentar, esteja longe do registado noutros países, como Espanha, Itália, Grã-Bretanha ou Estados Unidos.

Na região de Leiria, em particular, os números são ainda mais animadores do que os da média do nosso País, com o número de infectados por 10 mil habitantes a ser quase quatro vezes menor que a média nacional e o número de óbitos (não apenas por Covid-19) em Abril deste ano por óbitos no período homólogo de 2019 a ser o mais baixo em Portugal.

Face ao contexto, pode-se afirmar que esta região tem tido um desempenho exemplar, que revela civismo e sentido de responsabilidade da sua população, aspectos que têm que continuar bem presentes, sem qualquer alivio, nos próximos tempos.

O esforço terá que ser de todos, pois se assim não for correremos o risco de ver por cá os cenários dramáticos que nos têm chegado pela televisão.

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