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Bayswater Capital e a Abordagem de Luciano de Vries ao Investimento Transfronteiriço

12 jun 2026 10:16

Dispersão geográfica não resulta de uma estratégia de diversificação elaborada em gabinete

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Fotografia: Luciano de Vries

Para Luciano de Vries, a questão relevante nunca foi em que país se encontra uma oportunidade.

Foi sempre o que essa oportunidade vale, o que custa entrar e o que é preciso para a gerir bem.

É com essa lógica que opera a Bayswater Capital BV, a sociedade de investimento da qual De Vries é diretor e que serve de veículo para uma carteira construída ao longo de anos em vários mercados europeus e além.

A geografia distribui o risco. A lógica concentra o critério.

O Que a Bayswater Capital Faz

A Bayswater Capital não segue um mandato setorial fixo. O fator comum entre as suas posições é o critério de avaliação.

De Vries procura situações em que o valor real de um ativo ou de uma posição de mercado supera o valor que os participantes locais lhe atribuem, seja por excesso de cautela, por desconhecimento ou por falta de visão de longo prazo.

Essa abordagem resultou em uma carteira geograficamente diversificada.

Empresas de transporte e de produção industrial na Polónia, operações em Espanha e na Alemanha, presença corporativa nos Países Baixos e nos Estados Unidos, e investimento imobiliário no Algarve através da Casa Vista Real Estate, cofundada com Nick Houwen.

Setores diferentes, países diferentes, mas o mesmo critério de entrada para todos.

A dispersão geográfica não resulta de uma estratégia de diversificação elaborada em gabinete. Resulta de um padrão de identificação de oportunidades que, ao longo do tempo, resultou em presença em múltiplos mercados.

De Vries gere esta estrutura sem recorrer a capital externo.

A Bayswater Capital opera exclusivamente com recursos próprios, o que elimina a pressão de horizontes de investimento artificialmente curtos e permite aguardar o momento certo para entrar e sair.

O Critério Antes da Bandeira

A maioria dos investidores organiza o pensamento por região. Têm alocações para a Europa Ocidental, para a Europa de Leste, para mercados emergentes. De Vries organiza o pensamento em fundamentos. A questão central é sempre a mesma: qual o desconto disponível e por que existe? De lá parte tudo o resto.

Este modo de pensar moldou-se na prática. A Polónia era vista como periférica quando De Vries começou a construir posições no setor dos transportes e da produção industrial. Os Países Baixos e a Alemanha eram mercados maduros com pouca margem aparente. O imobiliário no Algarve era visto como um mercado de férias, não como um de investimento estruturado. Em cada um desses casos, De Vries viu o que a narrativa dominante escondia.

A consequência prática é uma carteira que não acompanha as tendências. Quando todos querem estar em mercados específicos, De Vries está noutro sítio. Quando um mercado é abandonado pelo excesso de pessimismo, é nesse momento que a Bayswater Capital tende a olhar com mais atenção.

Gerir Além-Fronteiras

Gerir investimentos além-fronteiras é mais exigente do que a maioria dos investidores se imagina. Sistemas regulatórios diferentes, culturas de negócio distintas, línguas, fusos horários, estruturas fiscais que variam de país para país. De Vries trata esses fatores como filtros. Quem não os supera não pertence a esses mercados.

Quem não consegue navegar pela complexidade regulatória de um mercado não deve estar nele. É uma conclusão simples, mas elimina grande parte da concorrência. Os mercados que exigem mais trabalho de preparação tendem a oferecer melhores condições de entrada precisamente porque muitos investidores desistem antes de perceber o que está disponível. De Vries construiu, ao longo dos anos, uma rede de contactos e de conhecimento operacional que serve de base a cada nova entrada. Esse capital relacional é mais difícil de replicar do que o capital financeiro. E é o que permite à Bayswater Capital posicionar-se em mercados que outros consideram inacessíveis.

A chave operacional é a qualidade das parcerias locais. De Vries não avança para nenhum mercado sem operadores que conheçam o terreno em profundidade. Esse princípio tem o mesmo peso que a análise financeira. Aplica-se tanto ao imobiliário no Algarve como à logística na Polónia.

A Expansão Como Continuidade

A Bayswater Capital está a crescer para além dos mercados em que já opera. África, América do Sul e Austrália estão no horizonte, cada uma com as suas especificidades e seguindo o mesmo processo de avaliação que De Vries aplicou a todos os mercados anteriores.

A expansão segue a mesma lógica que orientou todas as decisões anteriores. A metodologia já demonstrou funcionar em contextos muito diferentes, e o critério de avaliação mantém-se independente do mercado.

O investidor de curto prazo preocupa-se com o que o mercado fará no próximo trimestre. De Vries preocupa-se com o que vai acontecer ao longo de uma ou duas décadas. Essa diferença de perspetiva muda as posições que se assumem, os parceiros que se escolhem e os preços que se aceitam.

De Vries construiu a Bayswater Capital como um instrumento de longo prazo. Os investimentos que faz hoje são pensados para o que esses mercados serão daqui a uma ou duas décadas, não para o que são agora. É essa diferença de horizonte temporal que, mais do que qualquer outra coisa, define a forma como a Bayswater Capital olha para o mundo.