Economia

João Confraria: "Deve ser possível evitar que este desastre tenha consequências duradouras na internacionalização"

15 fev 2026 10:00

Economista analisa impacto da depressão Kristin na região e no País

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DR
Daniela Franco Sousa

No distrito de Leiria, a passagem da Kristin deixou mazelas em muitas empresas. Desde pequenos negócios, comércio, até empresas médias e grandes, que perderam infra-estruturas, máquinas e outras tecnologias, passando pelas explorações de gado, largos hectares de cultivo, quase todos têm prejuízos. Em muitos casos, as empresas continuam paradas. Algumas talvez nem venham a reabrir. Que impacto poderá ter esta intempérie na economia desta região?
Embora sem estar em Leiria, presumo que seja ainda cedo para avaliar as consequências do temporal na economia da região. No entanto, em princípio, não deverá afectar os padrões de especialização regional. Houve um desastre que paralisou muitas empresas e vai impedir que se realizem muitos negócios.

Tendo em conta que se trata de um território pautado por uma internacionalização muito pujante, considera que esta situação venha a penalizar a balança comercial do País?
Deve ser possível evitar que este desastre tenha consequências duradouras na internacionalização da economia regional. A internacionalização da região depende em primeiro lugar das pessoas e das suas capacidades e conhecimentos – e estes permanecem intactos. Assim, o que importa é recuperar rapidamente as instalações e as organizações. Para o efeito, o acesso aos apoios devia ser tão simples quanto possível, para não estar a sobrecarregar ainda mais as empresas nesta fase tão complicada.

Que tipo de medidas e iniciativas devem ser implementadas para reerguer a economia desta região?
O acesso à isenção de contribuições para a Segurança Social devia poder ser concedido automaticamente aos estabelecimentos instalados nas áreas mais afectadas, sem necessidade de mais carga burocrática. Em qualquer caso, devia ir-se pelos procedimentos mais simples possíveis.

Como fica o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nisto tudo?
Julgo que o PRR não foi concebido para responder a situações destas. Não estou certo de todos os recursos do PRR estarem a ser utilizados para melhorar a capacidade do País, de acordo com os objectivos originais, e introduzir mais uma alternativa para o uso desse dinheiro não seria a primeira opção, salvo melhor opinião. Se não houver possibilidade de acesso a fundos europeus previstos para situações de catástrofe, julgo que o melhor seria conseguir internamente, por solidariedade nacional, os meios financeiros necessários para a reconstrução.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que, sozinho, Portugal dificilmente tem recursos humanos para se reerguer rapidamente. Que condições devemos criar para acolher mão-de-obra imigrante?
No que diz respeito aos recursos de trabalho disponíveis para a reconstrução, vai haver uma procura acrescida de trabalho de algumas profissões. Para evitar alguma inflação salarial e reduzir os custos de reconstrução pode fazer sentido recorrer a mão-de-obra imigrante, de acordo com as necessidades do mercado.