DEPRESSÃO KRISTIN
Na Freixianda, centro social “auto-suficiente” valeu a muita gente
À semelhança de muitas outras, instituição do concelho de Ourém manteve e alargou o apoio aos utentes e populações
Nestes dias “escuros”, sem electricidade e sem condições para usar a cozinha, Ilda Freitas, de 88 anos, têm-se valido do serviço de apoio domiciliário do Centro Social Paroquial da Freixianda, a freguesia mais a norte do concelho de Ourém. “A comida vem do lar. É menos uma preocupação e sempre vem alguém ver como estou”, diz a mulher, residente na aldeia de Casal da Sobreira, utente da instituição, que esteve sempre a funcionar.
“Somos auto-suficientes em termos de energia e temos um furo que, nestas situações, podemos usar”, refere Susana Silva, directora técnica da IPSS, que tem 120 utentes, nas valências de lar, creche, centro de dia e apoio ao domicílio. A técnica conta que, depois do temporal de 2013, quando ficaram “sete dias sem luz”, a instituição adquiriu um gerador e, aquando das obras de ampliação, fizeram um furo, que lhes garante água nestes casos.
Durante dias, o centro social foi dos poucos locais da freguesia com energia, a par do quartel dos bombeiros, que deu sempre garantia de auxílio. “Nunca estivemos desamparados”, reconhece Susana Silva, referindo que, face às condições que tinha – “os estragos foram algumas telhas soltas e danos nos painéis solares” –, a instituição pôde apoiar a comunidade, nomeadamente utentes da freguesia vizinhas de Rio de Couros, onde o centro de dia esteve algum tempo fechado. Houve também outras pessoas que beneficiaram do apoio ao domicílio e um idoso, que “ficou sem casa”, foi integrado na estrutura residencial.
“Tivemos mais pedidos, mas não temos vagas, porque as pessoas queriam soluções mais definitivas”, avança a directora-técnica, revelando que, devido a essa falta de reposta, alguns emigrantes acabaram por levar os pais para França.
No caso de Ilda Freitas, valeu-lhe o apoio ao domicilio, que já tinha, e o amparo do irmão e dos vizinhos. “Temos de ser uns para os outros”, diz a mulher, que o JORNAL DE LEIRIA encontrou à conversa com dois vizinhos.
“Até os animais estão traumatizados”
O tema é “sempre o mesmo” dos últimos dias. Fala-se dos danos nas casas, dos telhados danificados, dos anexos destruídos, das dores no corpo provocados pelo cansaço dos trabalhos de limpeza, que “nunca mais páram”, e das feridas da mente, deixadas pela tempestade “maldita”.
“Sono não há. Não consigo dormir mais do que duas ou três horas. Acordo e não volto a adormecer”, partilha Maria Morgado, de 67 anos, referindo que “até os animais estão traumatizados”.
Na aldeia vizinha, de Casal Pinheiro, Bruno Silva dá continuidade aos trabalhos de reparação. O telhado de casa já está arranjado, mas há ainda que terminar a substituição da cobertura da pequena fábrica de enchidos da família. A expectativa é que consigam retomar a laboração ainda esta semana. As reparações tivemos de tratar à nossa conta. Nós e os outros”, conta o empresário.